Mergulhei numa paisagem
fiz uma longa viagem
procurei ver numa miragem
um ponto pequeno, uma viragem.
Parei numa cidade estranha
vim do cimo de uma montanha
uma caminhada, uma façanha
foi de lá que vim sem sanha.
Perguntaram se sabia o que era o amor,
não respondi, sem lhes mostrar a dor,
perguntaram se o amor era uma flor,
até me tentaram roubar a cor.
A dor de parto, da perda, da morte,
da guerra, da fome, do homem sem norte
das crianças abandonadas a sorte,
dos fracos e frágeis sem forte.
Perguntaram se eu sabia o que era amar
não respondi, sem lhes mostrar o olhar
perguntaram se amar era um chamar
até me tentaram tudo tirar.
A mentira a traição os fez encerrar
aos corações a ganância fez tirar
olhares brilhantes a rios a chorar
e a luxúria os fez hibernar.
Perguntaram se eu sabia qual era a solução
não respondi, sem lhes mostrar o sim e o não
perguntaram se a solução era uma razão
até me tentaram acusar de agitação.
O brilho, a luz, te faz embalar,
um carinho uma ternura a espreitar
loucos os que se entregam ao amar
porque sabem do que estou a falar.
E eu vi para lá uma passagem
fiz hoje mesmo a bagagem
revivo o amor em coragem
numa esperança sem miragem.

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