Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 23 de maio de 2009

Viagem...

Mergulhei numa paisagem

fiz uma longa viagem

procurei ver numa miragem

um ponto pequeno, uma viragem.


Parei numa cidade estranha

vim do cimo de uma montanha

uma caminhada, uma façanha

foi de lá que vim sem sanha.


Perguntaram se sabia o que era o amor,

não respondi, sem lhes mostrar a dor,

perguntaram se o amor era uma flor,

até me tentaram roubar a cor.


A dor de parto, da perda, da morte,

da guerra, da fome, do homem sem norte

das crianças abandonadas a sorte,

dos fracos e frágeis sem forte.


Perguntaram se eu sabia o que era amar

não respondi, sem lhes mostrar o olhar

perguntaram se amar era um chamar

até me tentaram tudo tirar.


A mentira a traição os fez encerrar

aos corações a ganância fez tirar

olhares brilhantes a rios a chorar

e a luxúria os fez hibernar.


Perguntaram se eu sabia qual era a solução

não respondi, sem lhes mostrar o sim e o não

perguntaram se a solução era uma razão

até me tentaram acusar de agitação.


O brilho, a luz, te faz embalar,

um carinho uma ternura a espreitar

loucos os que se entregam ao amar

porque sabem do que estou a falar.


E eu vi para lá uma passagem

fiz hoje mesmo a bagagem

revivo o amor em coragem

numa esperança sem miragem.

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