Um choro, um grito,
criança abandonada
esses meandros dos homens
justiça feita de forcas.
Ditam leis, justas dizem,
atiram-te criança para um fosso
Alexandra para onde vais?
Esmeralda como estás?
Silêncios de lâminas aguçadas
dobram-se cobardes justos dizem-se
Onde estás Madeleine?
Onde ficas-te Rui Pedro?
Oiço vozes, murmuros lentos
frágeis palavras numa criança
que te cortam sem piedade
esventram em escudos humanos.
Onde está o amor?
se nem em vos cínicos hipócritas
se encontra um pouco de criança
morrereis com as cinzas das culpas.
E nós entretidos estamos
espelhando os arredores do amor
justificando os nosso medos e angustias
em passatempos de emoções e ilusões.
E nós entretidos estamos
desventrando lares e construindo muros
olhem as crianças, olhem bem?
olhem e abram-se a todos os corações de criança.
Porque como o sábio disse:
“O Maior homem do mundo é aquele que não perde seu coração de criança.”
Em holocaustos chacinam crianças
e a criança que existem em ti também
é morta lentamente e esqueces-te de aprender
a vida é a escola que a tua alma escolheu.
Não sofro pelo que preciso
sofro antes pelo que não dou
são ténues os silêncios frios
que se quebram a meus passos.
Criança onde estás, onde estou,
tu, onde estás, onde escondeste a criança,
como é lindo seu sorriso,
como é lindo nele estar toda a esperança.

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