Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 16 de maio de 2009

Fio...

Das águas calmas do rio

do sopro do vento lúcido

correm fios que abrevio

ténues sabores amargos.


Salvei por um fio

no fio da navalha

uma vida, um suspiro

perdido na mentira.


Na terra dos hipócritas

as estrelas são decadentes

negros os dias de sombras

passos subtis e dementes


E por um fio salvei

uma vida um espírito

vesti-me de fonte e cai

cai em mim e foquei


Na terra dos incoerentes

os rios são restos de vómitos

corpos ressequidos de medo

palavras ocas de mentiras.


Salvei um livro num fio

palavras soltas num rio

almas que pairavam no ar

num tempo que não é hoje.


Longos dias, longas noites

fios frágeis cordas grossas

a corda enrola e o fio parte

salvei uma vida de perigosas.


E na terra da farta demagogia

cio, ira, medo, ódio escuridão

correm mentiras que enfeitiçam

dor, tristeza, roubo e ilusão


Salvei uma vida por um fio

bastou uma palavra amiga

que a vida não sobra aqui

é um fio frágil eterno selo.


Porque metade de nós é amor... e a outra metade também!

Onde algumas almas se encontram… outras se perdem!

Sem comentários: