Estranha forma de ser, a minha,
quem será que habita em mim?!
não é de adulto com certeza
é um desconcerto ingénuo.
Estranha forma de apatia, a minha,
que será que me espera do outro lado?!
não é de ninguém com certeza
será rejeição será o ridículo do ser.
Estranha forma a minha
num mundo que caminha
luta, injuria, pura adivinha
verdade ou mentira a rainha.
Estranha forma a minha, de dizer,
porque será que não sou como os demais?!
nunca escolhi a escuridão e a mentira
que antídoto habita em mim para tal.
Estranha forma de admitir e concluir
que a sorte abona os que querem destruir
talvez um dia quem sabe mude ideias
de que vale a pena ser-se como se é.
Estranha forma de lamento, sem pena,
porque de abutres o mundo está cheio
e os lobos espreitam a cada esquina
famintos de carne fresca e cara lavada.
Estranha forma de me lamentar,
será que pena procuro, não posso?!
não, meu coração não permite tal,
é antes um grito, uma revolta.
Estranha forma de felicidade,
pecar por não amar, e tanto reter,
serás capaz de tu amar assim?!
estranha forma de acreditar.
Estranha forma de desistir,
raiva que sinto do mundo?!
não, mas vou ficar por aqui,
as palavras são arte apenas.
mas são aquilo que o poeta sente.

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