Recusei-me duas vezes
e duas vezes amei
estranho em mim preces
de destinos que não rezei.
Fui levado ao supremo
julgado e réu condenado
solitária e castigos que temo
ai fiquei sem ser amado.
Triste fado o de tanto amar
ser os restos do banquete
que apodrecem sem reclamar
jogo sujo, falso sem tapete.
Duas vezes sentenciei
fiz de réu e de vítima
da razão nada roubei
da emoção ilegítima.
Condenado a rótulos
que não desejei escritos
são fechados em círculos
penas de prisão e delitos.
Duas vezes que recosei
viver na ditadura da paixão
de um amor que não aclamei
da carne fraca da razão.
Ter correntes de coragem
cortar elos da ingratidão
partir para longe sem bagagem
levando apenas o coração.
Viver o pior dos infernos
é conformar o pensamento
é sentir dor sem amor eterno
é morrer demente e lento.

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