Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BOM


No princípio era tudo bom

justo, decente e saboroso,

havia luz, beleza e um dom,

muita fantasia e maravilhoso.


Rastejante veio o abuso,

no vazio do bom a gula,

nos espaços do justo o uso,

do decente ganância chula.


Estranha forma filosófica,

de pensar que no proibido,

está o que nos dá mais lógica,

apenas cimentamos um jazido.


E rimos do triste e da orgia

da desventura e dor alheia

ridicularizamos a alegria

o ingénuo o bonito e cheia.


Onde está o criador?

a imaginação do bom

a decência do orador

a criatividade do som.


No princípio nada era proibido

justiça, princípios e carácter,

havia em cada um fogo nascido,

uma fonte linda de prazer.


Criámos a ostentação do proibido,

com a corrupção e a adulteração,

criamos monstros de sangue frigido,

aniquilam-se almas nesta nova inquisição.


Onde está o fogo e as histórias

as lendas e as epopeias de amor

as luas e os amores e as fantasias

a alegria e o sorriso voador.


Criámos as drogas e as bebidas,

anestesiantes, calmantes e êxtases,

para nos esquecermos das vidas

mascaradas a felicidade que desfases.


Esta é a cruel doutrina

que sem regras ou leis

toda a vida se extermina

se a própria vida acateis.


Libertamos medos por vezes

num corpo faminto de prazer,

em apelativas embriaguezes,

esquecer o que existe por fazer.


Neste labirinto da incerteza,

jogamos ao jogo da insensatez,

esquecemos o bom na certeza,

porque teimamos na nossa avidez.


Um dia o bom existiu sabias,

no fogo e na partilha do amor,

na ausência do preconceito lias

perdemos a criança em prol da dor.


Tudo o que imaginas de proibido,

existe no bom, na certeza porém

que em tudo existe dois partidos,

só no profundo existe tal éden.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Se refaz...

E o poeta se refaz,

da angustia do momento,

por ele vagueiam almas

espíritos perdidos, não sei.


E o amor existe,

porque o ódio existe,

ténue a fronteira

do santo e profano.


E o poeta se desfaz,

da frágil fronteira do prazer,

da consciência moral,

dos actos humanos filosóficos.


E descem sobre o poeta,

tenebrosas e dúbias duvidas,

espíritos inquietos e perturbados

num labirinto e encruzilhadas ratoeiras.


E o poeta se transcende,

deixa por momentos de ser,

vai por ai colhendo sombras,

numa louca vontade de regressar.


E o poeta se refaz,

da angustia de não ser amado,

da angustia de não ser capaz,

de pecar, de abusar e profanar.


E o poeta pergunta por ti,

louco de amor por amar,

ele não sabe é apenas aprendiz

atrai para si blocos de gelo fino.


E o poeta se refaz,

da maior das mentiras,

fingir e sentir que é capaz,

ser maior, mas é cegueira.

domingo, 19 de julho de 2009

Sem Fim...

Porque escrevo assim

palavras estranhas em mim

puzzle de vidas sem fim

nem sei tão pouco porque vim.


Não sei o que me trás aqui

se a morte me chegasse

nem o mundo daria pela falta

se nem a vida me deu missão.


Pobre alma a minha desencontrada,

dos sonhos comuns de qualquer mortal

nem das pedras fiz castelo ou armada,

dito palavras em fraco e trágico final.


Sei que sei, que nunca serei,

feliz, contente ou sorridente,

sei que sei, que nunca terei,

tão pouco um sonho descontente.


Nasci assim, só Deus sabe,

o que me espera, não sei,

se a morte por mim desabe

a nada nem a ninguém notei.


Se desafio e afronto assim a vida,

foi porque a morte me ocorreu

logro é o motivo para continuar

louco por pensar que sei amar.


E se eu morrer, não chores,

sorri, porque existe sempre

alguém que não merece e parte,

enquanto eu inútil me reparto.


Se tento decifrar o oráculo,

restos de um deus menor,

preso fico num cruel círculo

de vidas dentro de vidas em redor.


Se por fim ainda insisto sem fim

é porque ainda não me sinto só

no meio da tempestade sem fim

coleccionando penas e sentenças.

Se o amor… Se por amor…


Se o amor é causador de abandono,

ciúme, violência, prisão e distância.

Se o amor é abandonado sem dono,

motivo de inimizade sem substância.


Se o amor é causador de guerras,

alienações, perseguições e ódio.

Se o amor é um punhado de terra,

carne viva, sexo e um lugar no pódio.


Se por amor não se confia,

acredita, chora e sorri.

Se por amor não se arrepia,

insiste, abre e convivi.


Se o amor é um jogo,

troféu ou um meio.

Se o amor é um logro,

montra ou torneio.


Se por amor se premedita,

expectativa ou subestima.

Se por amor se aproveita,

deleita e depois se dizima.


Se o amor é um negocio,

mero prazer para a carne.

Se o amor é um deposito,

de emoções e de encarne.


Se o amor é cego e mudo,

obrigação, disjunção, eu sei lá.

Se o amor é louco e quer tudo,

doença, martírio e dor má.


Se o amor é interesseiro,

rafeiro ou apenas um acto.

Se o amor é uma intenção,

promessa, altar ou contrato.


Se o amor é por fim tudo isso,

rascunho, sombra, frase ou isco,

então assim não vou querer amar,

tão raro tesouro é o amor a brilhar.


Se o amor é tudo isso pelo mundo,

como posso acreditar nesse amor,

esta é antítese e o paradoxo fundo,

e eu queria apenas te dar uma flor.

sábado, 18 de julho de 2009

Cego

Eu estava a sonhar sobre o passado
Porquê os bons tempos nunca duram?
Ajude-me Jesus, mostre-me o caminho
Eu não posso esperar outro dia.

Eu estava faminto, deprimido,
Eu simplesmente não sabia que caminho seguir
A perseguir arco-íris que não têm fim
A estrada é longa sem um amigo
Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque a chamada
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Apenas um jovem á procura da direcção para casa
A ver o sol a pôr novamente
Através da água, o sol está brilhando
Mas, ele sempre será, ele sempre será o mesmo?

Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque o chamado
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Eu preciso de alguém, eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém para me chamar a mim
Como um homem cego, eu posso sentir o calor do sol
Mas, como um homem cego
Eu não sei, eu não sei,
Eu não sei de onde é o caminho em frente…

Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque o chamado
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Eu preciso de alguém, eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém para me chamar a mim
Como um homem cego, eu posso sentir o calor do sol
Mas, como um homem cego
Eu não sei, eu não sei,
Eu não sei de onde é o caminho em frente…


(Whitesnake - Blindman)