Porque escrevo assim
palavras estranhas em mim
puzzle de vidas sem fim
nem sei tão pouco porque vim.
Não sei o que me trás aqui
se a morte me chegasse
nem o mundo daria pela falta
se nem a vida me deu missão.
Pobre alma a minha desencontrada,
dos sonhos comuns de qualquer mortal
nem das pedras fiz castelo ou armada,
dito palavras em fraco e trágico final.
Sei que sei, que nunca serei,
feliz, contente ou sorridente,
sei que sei, que nunca terei,
tão pouco um sonho descontente.
Nasci assim, só Deus sabe,
o que me espera, não sei,
se a morte por mim desabe
a nada nem a ninguém notei.
Se desafio e afronto assim a vida,
foi porque a morte me ocorreu
logro é o motivo para continuar
louco por pensar que sei amar.
E se eu morrer, não chores,
sorri, porque existe sempre
alguém que não merece e parte,
enquanto eu inútil me reparto.
Se tento decifrar o oráculo,
restos de um deus menor,
preso fico num cruel círculo
de vidas dentro de vidas em redor.
Se por fim ainda insisto sem fim
é porque ainda não me sinto só
no meio da tempestade sem fim

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