E o poeta se refaz,
da angustia do momento,
por ele vagueiam almas
espíritos perdidos, não sei.
E o amor existe,
porque o ódio existe,
ténue a fronteira
do santo e profano.
E o poeta se desfaz,
da frágil fronteira do prazer,
da consciência moral,
dos actos humanos filosóficos.
E descem sobre o poeta,
tenebrosas e dúbias duvidas,
espíritos inquietos e perturbados
num labirinto e encruzilhadas ratoeiras.
E o poeta se transcende,
deixa por momentos de ser,
vai por ai colhendo sombras,
numa louca vontade de regressar.
E o poeta se refaz,
da angustia de não ser amado,
da angustia de não ser capaz,
de pecar, de abusar e profanar.
E o poeta pergunta por ti,
louco de amor por amar,
ele não sabe é apenas aprendiz
atrai para si blocos de gelo fino.
E o poeta se refaz,
da maior das mentiras,
fingir e sentir que é capaz,

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