Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 19 de julho de 2009

Se o amor… Se por amor…


Se o amor é causador de abandono,

ciúme, violência, prisão e distância.

Se o amor é abandonado sem dono,

motivo de inimizade sem substância.


Se o amor é causador de guerras,

alienações, perseguições e ódio.

Se o amor é um punhado de terra,

carne viva, sexo e um lugar no pódio.


Se por amor não se confia,

acredita, chora e sorri.

Se por amor não se arrepia,

insiste, abre e convivi.


Se o amor é um jogo,

troféu ou um meio.

Se o amor é um logro,

montra ou torneio.


Se por amor se premedita,

expectativa ou subestima.

Se por amor se aproveita,

deleita e depois se dizima.


Se o amor é um negocio,

mero prazer para a carne.

Se o amor é um deposito,

de emoções e de encarne.


Se o amor é cego e mudo,

obrigação, disjunção, eu sei lá.

Se o amor é louco e quer tudo,

doença, martírio e dor má.


Se o amor é interesseiro,

rafeiro ou apenas um acto.

Se o amor é uma intenção,

promessa, altar ou contrato.


Se o amor é por fim tudo isso,

rascunho, sombra, frase ou isco,

então assim não vou querer amar,

tão raro tesouro é o amor a brilhar.


Se o amor é tudo isso pelo mundo,

como posso acreditar nesse amor,

esta é antítese e o paradoxo fundo,

e eu queria apenas te dar uma flor.

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