No princípio era tudo bom
justo, decente e saboroso,
havia luz, beleza e um dom,
muita fantasia e maravilhoso.
Rastejante veio o abuso,
no vazio do bom a gula,
nos espaços do justo o uso,
do decente ganância chula.
Estranha forma filosófica,
de pensar que no proibido,
está o que nos dá mais lógica,
apenas cimentamos um jazido.
E rimos do triste e da orgia
da desventura e dor alheia
ridicularizamos a alegria
o ingénuo o bonito e cheia.Onde está o criador?
a imaginação do bom
a decência do orador
a criatividade do som.
No princípio nada era proibido
justiça, princípios e carácter,
havia em cada um fogo nascido,
uma fonte linda de prazer.
Criámos a ostentação do proibido,
com a corrupção e a adulteração,
criamos monstros de sangue frigido,
aniquilam-se almas nesta nova inquisição.
Onde está o fogo e as histórias
as lendas e as epopeias de amor
as luas e os amores e as fantasias
a alegria e o sorriso voador.
Criámos as drogas e as bebidas,
anestesiantes, calmantes e êxtases,
para nos esquecermos das vidas
mascaradas a felicidade que desfases.
Esta é a cruel doutrina
que sem regras ou leis
toda a vida se extermina
se a própria vida acateis.
Libertamos medos por vezes
num corpo faminto de prazer,
em apelativas embriaguezes,
esquecer o que existe por fazer.
Neste labirinto da incerteza,
jogamos ao jogo da insensatez,
esquecemos o bom na certeza,
porque teimamos na nossa avidez.
Um dia o bom existiu sabias,
no fogo e na partilha do amor,
na ausência do preconceito lias
perdemos a criança em prol da dor.
Tudo o que imaginas de proibido,
existe no bom, na certeza porém
que em tudo existe dois partidos,
só no profundo existe tal éden.

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