Louco, por pensar,
por querer amar o mar,
louco, por saber,
o para onde correr.
Louco, por ser,
perplexo
complexo
sem nexo.
Não sou assim, louco,
lembras-te da lareira,
das histórias à beira,
do som da ribeira.
Sabes como sou,
as brincadeiras de crianças,
berlindes, cordas e lembranças,
traquinices e correrias e ânsias.
Lembras-te daquelas idades,
puras, simples de devaneios,
o mundo era nosso de verdade,
as primeiras vezes e os meios.
Sabes quem sou eu, lembras-te,
banhar os pés no mar e acordar,
ver as estrelas e acordar-te,
morrer por querer amar.
Lembras-te da humildade,
da inocência dos movimentos,
dos sonhos e da liberdade,
das músicas e encantamentos.
Onde está essa fogueira
que acendia o coração
brincadeiras numa eira
cantadas por uma canção.
Onde estás tu agora,
queria-te segredar,
tudo se perde numa hora,
quando deixamos de segredar.

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