Se sou uma adversidade,
um mal, constrangimento
estorvo ou passatempo
imperfeito nesta cidade.
Se não pertenço a esta cidade,
faz-me as malas e eu parto,
sou melhor nessa dignidade,
do que logro do teu fardo farto.
Cheguei a esta cidade natal,
persona non grata rotulada,
chamaram-me de anormal,
dita escrita cidade abençoada.
Sou o pior dos teus pesadelos,
sabes bem como é a cidade,
corações de pedra e pesadelos,
resta um pouco de lealdade.
Sentes-te perdida na cidade,
desconfianças e incertezas,
não existe luz nem vontade,
mas existem outras riquezas.
Se não queres a presença,
a palavra ou a benevolência,
tira-me o rosto e a avença,
do coração a penitência.
Sou novo na cidade,
ruas e estradas aprendo,
contorno com agilidade
ao caminho não me rendo.
Então diz-me a verdade
onde moras na cidade!?
na rua da ambiguidade,
ou na ruela da afinidade.

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