Sim eu sei, existem marcas,
sinais que o tempo não apaga,
possuas em forma anarcas,
nem o tempo cura e esmaga.
Luto eu sei, para me aproximar,
também para mim não é fácil,
contra tudo eu sei, apenas amar,
não é o fácil que procuro, nem débil.
Contra todas as probabilidades,
um sorriso, um olhar sincero,
um gesto, uma cumplicidade,
um pequeno sinal que espero.
E sim, eu sei, filho de um deus menor,
invisível por caminhos de ratoeiras,
só a ingratidão me viu em pormenor,
abandonado sem eira nem beiras.
Corro eu sei, fujo e açoitam-me,
melhor sorte teve o desonesto,
a dor e o egoísmo castigam-me,
ao tempo serão apenas digestos.
Contra todas as probabilidades,
eu luto sincero na clandestinidade
sem interesse nem propriedade
nas palavras me refugio e lealdade.
Tenho procurado, brecha no coração,
uma razão que valha a certeza,
nos destroços da dor uma razão,
nos destroços da rejeição a beleza.
A felicidade não é um principio nem um fim,
é um estado de alma, em sintonia com o amor,
é uma luta desigual porque ninguém é marfim,
pertence ao que ama não ao enganador.
Contra todas as probabilidade,
luto por ti, eu sei, á minha maneira,
a que conheço ridícula, sem maldade,
com coração e sem algibeira.
Afinal, quem quer viver e amar para sempre!?
à sempre um lugar para cada um de nós, sempre há,
aqui ou além sempre, porque a alma não morre,
e a única coisa que levamos é o amor da amizade (afinidade).

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