a estranha pergunta
da procura estranha
do eu profundo.
Como é estranho
a estranha sensação
palavra que acompanho
vinda da linear razão.
Como é estranho
sentir que se é sentido
temido por algo sem amanho
e eu fico aqui lido.
Prefiro meu canto só
que sentir o sabor estranho
de pensares que quero o nó
pertenço ao voo que acompanho.
Como é estranho estar só,
sem sentir vazios e solidão,
uma espécie de vida em pó,
que tras força maior num clarão.
Como é estranho este voo,
onde ninguém acredita,
sinceridade que ninguém abençoo,
apenas luto uma luta imperfeita.
Como é estranho a alienação,
da carne, do ter, do querer mais,
mais, mais, até ser ladrão,
sensação que tudo esses tem mais.
E neste voo estranho picado,
carne de canhão te transformas,
necessidade numa doença abraçado,
não acreditas que existem outras formas.
E eu sou assim, alimento de mim,
talvez só, mas sem o preço do favor,
talvez só, mas sem o valor do marfim,
talvez só, mas sem a prisão do pavor.
Come é estranho,
sentir tudo sentido,
do meu e teu que apanho,
hipocrisia do mundo abatido.

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