Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 4 de outubro de 2008

Voo Estranho



Como é estranho

a estranha pergunta

da procura estranha

do eu profundo.


Como é estranho

a estranha sensação

palavra que acompanho

vinda da linear razão.


Como é estranho

sentir que se é sentido

temido por algo sem amanho

e eu fico aqui lido.


Prefiro meu canto só

que sentir o sabor estranho

de pensares que quero o nó

pertenço ao voo que acompanho.


Como é estranho estar só,

sem sentir vazios e solidão,

uma espécie de vida em pó,

que tras força maior num clarão.


Como é estranho este voo,

onde ninguém acredita,

sinceridade que ninguém abençoo,

apenas luto uma luta imperfeita.


Como é estranho a alienação,

da carne, do ter, do querer mais,

mais, mais, até ser ladrão,

sensação que tudo esses tem mais.


E neste voo estranho picado,

carne de canhão te transformas,

necessidade numa doença abraçado,

não acreditas que existem outras formas.


E eu sou assim, alimento de mim,

talvez só, mas sem o preço do favor,

talvez só, mas sem o valor do marfim,

talvez só, mas sem a prisão do pavor.


Come é estranho,

sentir tudo sentido,

do meu e teu que apanho,

hipocrisia do mundo abatido.

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