
Abro e fecho lento
pensamento livre
ao redor oiço vento
rumores de lamento.
Oiço vozes e passos
caminhos repassados
cem vezes contados
e tudo são passados.
Vento que não assopras
os heróis e os audazes
mudanças que não sopras
não levas nem trazes.
Abro e fecho fora e dentro
inquebráveis matérias usadas
mentiras e alienações desventro
por entre vidas abaladas.
És único e indissolúvel
pó em terra de ninguém
esperando a terra admirável
onde estás és único refém.
Cria, gira, voa nesse vento
sobre água caminha livre
solta o teu e meu invento
és luz e reino da alpivre.
Reinventa o obsoleto
contos, ditos e mitos
parte com teu amuleto
deita fora lado de delitos.
Abro fecho vento e corrente
é preciso navegar e abrir
é preciso de novo descobrir
a criança em nós carente.

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