Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 19 de outubro de 2008

Ventos

Abro e fecho lento

pensamento livre

ao redor oiço vento

rumores de lamento.


Oiço vozes e passos

caminhos repassados

cem vezes contados

e tudo são passados.


Vento que não assopras

os heróis e os audazes

mudanças que não sopras

não levas nem trazes.


Abro e fecho fora e dentro

inquebráveis matérias usadas

mentiras e alienações desventro

por entre vidas abaladas.


És único e indissolúvel

pó em terra de ninguém

esperando a terra admirável

onde estás és único refém.


Cria, gira, voa nesse vento

sobre água caminha livre

solta o teu e meu invento

és luz e reino da alpivre.


Reinventa o obsoleto

contos, ditos e mitos

parte com teu amuleto

deita fora lado de delitos.


Abro fecho vento e corrente

é preciso navegar e abrir

é preciso de novo descobrir

a criança em nós carente.

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