Se vagueias pela calada da noite,
decepcionado pelo quente do teu covil,
procuras fora o que não existe dentro,
e ficas à mercê de abutres e vampiros.
Se vagueias sem sentido nem porto,
abandonado pelo sonhos que desejavas,
procuras fantasias em anúncios de selo,
e te entregas aos perigos da selva ardente.
Se te mascaras de ouro procurando vitimas,
onde de dia és anjo e á noite caçador,
procuras o segredo fácil da sobrevivência,
e te entregas aos desejos dos carentes.
Se acabares só e gasto pelo tempo,
abandonado no inferno dos vazios,
não temas és mais uma vitima,
e serás presa fácil dos necrófagos.
Se te preparas para a caça,
despojando os silêncios da alma,
tem cuidado porque o vazio volta,
e serás presa fácil dos necrófagos.
Se hoje te abastas em tesouros,
rasgando e matando o sensível,
um dia poderá nada valer os ouros,
antes um ranger de dentes te levará.
Se hoje não criares as raízes,
se hoje abandonares os sonhos,
se hoje desprezares o belo,
serás uma presa fácil dos necrófagos.
Se hoje desprezas a dor e o amor,
e num odor hipócrita viveres,
e não lutares por uma fantasia linda,
um dia ninguém se vai lembrar de ti.
Lembra-te do fino gelo que pisas,
dos pensamentos quando estas só,
lembra-te que alguém existe,
que vai para além da alma e do amor.
Hoje és carne para canhão,
de uma guerra que desconheces,
tentas sobreviver nesta selva de pedra
onde tu és apenas mais uma presa.

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