Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Duas Vezes...


Recusei-me duas vezes

e duas vezes amei

estranho em mim preces

de destinos que não rezei.


Fui levado ao supremo

julgado e réu condenado

solitária e castigos que temo

ai fiquei sem ser amado.


Triste fado o de tanto amar

ser os restos do banquete

que apodrecem sem reclamar

jogo sujo, falso sem tapete.


Duas vezes sentenciei

fiz de réu e de vítima

da razão nada roubei

da emoção ilegítima.


Condenado a rótulos

que não desejei escritos

são fechados em círculos

penas de prisão e delitos.


Duas vezes que recosei

viver na ditadura da paixão

de um amor que não aclamei

da carne fraca da razão.


Ter correntes de coragem

cortar elos da ingratidão

partir para longe sem bagagem

levando apenas o coração.


Viver o pior dos infernos

é conformar o pensamento

é sentir dor sem amor eterno

é morrer demente e lento.


Por isso irei recusar sempre…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Tocar o Céu


Foi na rua que cresci
Não me perguntes porquê
Todos olham para mim
Mas ninguém, ninguém me vê

Chega a noite tenho frio
Tenho medo de crescer
E o que trago vestido
Não chega, para me aquecer

E se os meus olhos fechar
Neste mundo mando eu
Até consigo voar
Tocar, tocar no céu

Queria ser um astronauta
Herói de banda desenhada
Lutar de capa e espada
Mas dizem, que não sou nada

E se os meus olhos fechar
Neste mundo mando eu
Até consigo voar
Tocar, tocar no céu

Tenho amigos como eu
Que jamais irei esquecer
Têm tanto amor para dar
Mas ninguém para o receber

E se os meus olhos fechar
Neste mundo mando eu
Até consigo voar
Tocar, tocar no céu

(Letra e música: Polo Norte)

Enigmas…


Sobram luzes eu sei

palavras cruzadas

rostos e vidas desfeitas

e o código que não decifrei.


Enigmas da minha vida

criptas, catacumbas e desertos

silêncios, ruídos de fundo

apareceste, não sei porquê.


Labirintos fechados sem fim

vejo vidas desfeitas aniquiladas

no silêncio mudo do ranger

traídas, vandalizadas, eu sei lá.


Não tenho nenhum dom

enigmas, códigos e labirinto

faço palavras vazias de ti

esperando o milagre do amor.


Peças trocadas no xadrez

tabuleiro a três cores estranhas

meio mundo equivocado

outro meio abandonado á sorte.


Estranho amor que não faz dor

flor rosa de espinhos aguçados

fico parado aqui decifrando

pedras brancas pedras pretas.


Cruzei as palavras para não as entenderes

inventei cifras estranhas para esconder

o mal o bem e o amor, uma vontade

querias-me decifrar, a linguagem dos sós.


È melhor não, isto é só um jogo,

á quem prefira ser sempre enganado

outros á que andam sempre enganados

outros porém preferem a dor do engano.


No deserto estou, quente frio sei lá,

pergunto o porque, e tento-me decifrar

não sei, apenas não sei, mas apenas sou

que bom era partilhar este meu ser.






sábado, 16 de maio de 2009

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Fernando Pessoa)

Ridículo...

Lanço uma sintonia pulsar

ridículas sinceras e antigas

já escrevi poemas demais

para serem escutadas por mim


Sobram, porquê não sei

ridículas luzes do poeta

iluminados do mal maior

carnificinas da alma desfeita.


Ridículo disse o poeta maior

que tudo é puro e verdade

em tudo um mal menor

ninguém quer saber ouvir.


Sou a representação do mal

a expiação dos hipócritas

o lixo dos enganos

enquanto eles se riem em banquetes.


Ridículo eu, sim, para ti,

o quadro imperfeito do pintor

a criança órfã do amor,

onde sou um ponto apenas.


Ridículo, sim, uma bomba de amor

retenho o bem e absorvo as trevas

eu sou ninguém e ninguém sou eu

quis o destino que assim me vestisse.


Eu fujo, sim fujo, de ti,

porque eu levo-te o mal

porque não tendo mal

o mal está em mim.


Ridículo é o poeta

que assim se descreve

mas quando se tem tanto para dar

e se é invisível, o que sobra é a

puta da ideia que os hipócritas

tem mais sorte, mais vidas na mão,

mais vidas para tirar e enganar,

mais carne para saborear,

insaciáveis pelo poder,

escravizam o carinho e a ternura

e nem imaginação tem…

e porra…

…eu fico na terra de ninguém.


Assim me ditou o destino

que em muitas vidas se tira

e só numa se mantém e retêm

a espera é longa e o coração fraco.

Fio...

Das águas calmas do rio

do sopro do vento lúcido

correm fios que abrevio

ténues sabores amargos.


Salvei por um fio

no fio da navalha

uma vida, um suspiro

perdido na mentira.


Na terra dos hipócritas

as estrelas são decadentes

negros os dias de sombras

passos subtis e dementes


E por um fio salvei

uma vida um espírito

vesti-me de fonte e cai

cai em mim e foquei


Na terra dos incoerentes

os rios são restos de vómitos

corpos ressequidos de medo

palavras ocas de mentiras.


Salvei um livro num fio

palavras soltas num rio

almas que pairavam no ar

num tempo que não é hoje.


Longos dias, longas noites

fios frágeis cordas grossas

a corda enrola e o fio parte

salvei uma vida de perigosas.


E na terra da farta demagogia

cio, ira, medo, ódio escuridão

correm mentiras que enfeitiçam

dor, tristeza, roubo e ilusão


Salvei uma vida por um fio

bastou uma palavra amiga

que a vida não sobra aqui

é um fio frágil eterno selo.


Porque metade de nós é amor... e a outra metade também!

Onde algumas almas se encontram… outras se perdem!