Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Voos Ancestrais

Rezam histórias ancestrais,

lendas, contos e fábulas

que tudo num dia contais,

em epopeias e fórmulas.


Músicas mágicas em silêncio

num quadro pintado por Deus

harmonia celestial evidencio

num abandono total do adeus.


Luz, íris, rosas e lírios,

rejubilantes verdes flor,

fontes cristais de rios,

corre pelo manto amor.


Rezam histórias um paraíso

sem perguntas e respostas

tudo se contava num sorriso

de cores e céu azul que gostas.


Sou o guardador de histórias,

derrubo e construo dias assim

e proclamo vitórias e glórias

e tu a ave num céu de cetim.


Contos lindos onde o mal não existia,

Escutei as vozes que me chamavam,

estrelas do dia mais claro que me guia,

luzes, sons e magia que me encantam.


E tudo passa numa história de embalar

sou o jardineiro de tempos ancestrais,

a prosa a flor que te ofereço ao luar,

passos, lindas seduções que dançais.


Rezam histórias ancestrais

que o amor existe num desejo

um paraíso de campos rosais

num gesto num olhar que vejo.

domingo, 12 de abril de 2009

Turbulências

Vazios de vidas suspensas

semearam dias de ausência

perpétuas lágrimas extensas

ocos rotos da indiferencia.


Muros e paredes de concreto,

ingredientes de aço e barro,

destroços de amor incompleto

de um suicídio que não narro.


Oiço choros, uivos e gemidos,

fossos de ar ausentes e tremidos

mortes lentas sem apelidos

caídas e perdidas e escondidos.


Fôlegos suspensos nos ares frios

sentidos corações destroçados

ânsias doloridas e calafrios

lindos seres de destinos trocados.


Vi sangue, angústia e lágrimas

vidas suportadas na turbulência

ares, mares e terras de queimas

tempos e ares de amor em ausência.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Despertares de Amor



Parei para te escutar

silêncio e calma

sons e cores da alma

fazem-me recordar.


Eu sei que tu sabes

que me recuso tirar

a forma linda de amar

onde em tudo cabes.


E se viajasses em mim

entre correntes e feitiços

luzes de néon quebradiços

verdes e dourados jardim.


E o amor, sim o amor,

reservas tímidas de mim

de fogueiras sem fim

onde a rosa és tu flor.


Porquê, preciso, sabes,

olhar, escutar, cantar,

e por mim não olhar,

na tua fúria linda de sabres.


Numa explosão de amor,

encontro-me entrincheirado,

recatado, tímido enfeitiçado,

não receies a minha flor.


Preso pelo ultimo destino,

procuro a razão das vidas,

que caminhos e partidas

de uma nação sem hino.


Tira-me, liberta-me, de tudo,

da cor que me rodeia ouro

eu quero voltar ser tesouro

da palavra amor um escudo.


Sou a palavra imperfeita

rejeitada pelos Homens

refeito de escuras imagens

que tua silhueta é perfeita.


Agarra-me, procura-me, livro,

aberto antigo luz quente recanto

que tu és minha rosa meu canto,

de sementes de amor sobrevivo.

domingo, 8 de março de 2009

MULHER

Se fosses raio de sol,

estrela num céu azul,

a luz que guia o farol,

tudo seria e veria de sul.


Escrevem de ti angustias,

prefiro neste dia as rosas,

perfume e luz que irradias,

danças de ventre audaciosas.


Quem te faz pequena é menor,

não é pranto e não é lágrima,

quem te entrega não é um quinor,

és linda pintura, música e rima.


Vidas por ti concebidas,

encerras em ti todo o amor,

mel de sensibilidades floridas,

do jardim a mais bela flor.


És a água e o fogo da paixão,

despertas em sensualidades,

fantasias e sons da imaginação,

por ti correm desejos e vontades.


Não és estrela mas irradias luz,

não és semente mas de ti florescem,

mãe menina lindo espírito que seduz,

ninfa, musa, Vénus que de ti inspirem.


Se fosses um grão de terra,

nascente de um rio de cristal,

éden de verdes campos e serras,

todo o amor seria diferente e igual.


sábado, 7 de março de 2009

Se eu...

E se eu te contasse,

um dia te enfeitiçasse,

feitiços mil de néon,

e um tesouro achasse.


E se eu um dia voasse,

num universo de sons,

cairia leve e arrepiasse,

pele pintada de tons.


Pintor, escritor, escultor

peça de cores e um actor,

lindas notas de um cantor,

teu corpo lido do inventor.


E se eu fosse perfeito,

de imperfeições feito,

tenras carícias de jeito,

uma fantasia de ti refeito.


Sorriso, luz, cristal liquido,

nua á luz de vela aquecido,

licor de amor lento bebido,

numa ternura lento atrevido.


Gestos imaginados em ti vi,

satisfação do fel e do mel,

abandono-me de mim para ti,

numa tempestade insaciável.


E se tudo fosse refeito,

em génesis um defeito,

criavas o criador desfeito,

em águas puras deleito.


E se eu te contasse,

que em tudo errasse,

milagre encantasse,

em tudo que abraçasse.


E se eu apenas te cativasse,

em infinitos fios de iris,

se ao cativar te amasse,

descobriria o que acredito.