Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 7 de março de 2009

Se eu...

E se eu te contasse,

um dia te enfeitiçasse,

feitiços mil de néon,

e um tesouro achasse.


E se eu um dia voasse,

num universo de sons,

cairia leve e arrepiasse,

pele pintada de tons.


Pintor, escritor, escultor

peça de cores e um actor,

lindas notas de um cantor,

teu corpo lido do inventor.


E se eu fosse perfeito,

de imperfeições feito,

tenras carícias de jeito,

uma fantasia de ti refeito.


Sorriso, luz, cristal liquido,

nua á luz de vela aquecido,

licor de amor lento bebido,

numa ternura lento atrevido.


Gestos imaginados em ti vi,

satisfação do fel e do mel,

abandono-me de mim para ti,

numa tempestade insaciável.


E se tudo fosse refeito,

em génesis um defeito,

criavas o criador desfeito,

em águas puras deleito.


E se eu te contasse,

que em tudo errasse,

milagre encantasse,

em tudo que abraçasse.


E se eu apenas te cativasse,

em infinitos fios de iris,

se ao cativar te amasse,

descobriria o que acredito.

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