Sou aquela criança envergonhada
que de outras vidas resgatado
de um abraço e beijo tirado
que na tenra idade a vida tirou de madrugada.
Birra mas não berra,
parte mas não estilhaça,
descobre mas não abusa,
corre sem parar e cai.
Sou aquela criança
que abraça uma herança
num mundo em cobrança
prefiro uma nova esperança.
Sou aquela criança
sorriso de face vermelha
receia o adulto que é
e receia o adulto que és.
Sou aquela criança
respeita demais e mais ainda
não mexe, não toca mas observa
aprende com o mestre que há em si.
Sou aquela criança adulta
que alguém adúltera um dia
esqueceu que foi criança
e não soube amar o amor.
Sou aquela criança estranha
que teus olhos receiam que ame,
sou assim distante e quase tudo
prefiro assim que certas garras.
Sou assim criança no mundo adulto
sempre insatisfeito com a imperfeição
do seu invólucro de homem crescido
e aprende como quem o desprende.
Sou aquela criança que brinca
brincando e inventando palavras
histórias de um mundo perfeito
jogos de amor de um mundo sem amor.
Sou aquela criança que sente
o quando de mal te fazem
o quanto de criança te tiram
o quanto de morte te ensinaram.


