Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 11 de outubro de 2008

Voo de Criança

Sou aquela criança envergonhada

que de outras vidas resgatado

de um abraço e beijo tirado

que na tenra idade a vida tirou de madrugada.


Birra mas não berra,

parte mas não estilhaça,

descobre mas não abusa,

corre sem parar e cai.


Sou aquela criança

que abraça uma herança

num mundo em cobrança

prefiro uma nova esperança.


Sou aquela criança

sorriso de face vermelha

receia o adulto que é

e receia o adulto que és.


Sou aquela criança

respeita demais e mais ainda

não mexe, não toca mas observa

aprende com o mestre que há em si.


Sou aquela criança adulta

que alguém adúltera um dia

esqueceu que foi criança

e não soube amar o amor.


Sou aquela criança estranha

que teus olhos receiam que ame,

sou assim distante e quase tudo

prefiro assim que certas garras.


Sou assim criança no mundo adulto

sempre insatisfeito com a imperfeição

do seu invólucro de homem crescido

e aprende como quem o desprende.


Sou aquela criança que brinca

brincando e inventando palavras

histórias de um mundo perfeito

jogos de amor de um mundo sem amor.


Sou aquela criança que sente

o quando de mal te fazem

o quanto de criança te tiram

o quanto de morte te ensinaram.

sábado, 4 de outubro de 2008

Voo Estranho



Como é estranho

a estranha pergunta

da procura estranha

do eu profundo.


Como é estranho

a estranha sensação

palavra que acompanho

vinda da linear razão.


Como é estranho

sentir que se é sentido

temido por algo sem amanho

e eu fico aqui lido.


Prefiro meu canto só

que sentir o sabor estranho

de pensares que quero o nó

pertenço ao voo que acompanho.


Como é estranho estar só,

sem sentir vazios e solidão,

uma espécie de vida em pó,

que tras força maior num clarão.


Como é estranho este voo,

onde ninguém acredita,

sinceridade que ninguém abençoo,

apenas luto uma luta imperfeita.


Como é estranho a alienação,

da carne, do ter, do querer mais,

mais, mais, até ser ladrão,

sensação que tudo esses tem mais.


E neste voo estranho picado,

carne de canhão te transformas,

necessidade numa doença abraçado,

não acreditas que existem outras formas.


E eu sou assim, alimento de mim,

talvez só, mas sem o preço do favor,

talvez só, mas sem o valor do marfim,

talvez só, mas sem a prisão do pavor.


Come é estranho,

sentir tudo sentido,

do meu e teu que apanho,

hipocrisia do mundo abatido.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Meu Voo Interior


Conheces aquele desejo,

que em medos despejo,

o tempo é cru e o tempo turvo,

e eu a tudo me levo e curvo.


Um dedo retorna em três,

das palavras com falta de amor,

é difícil perdoar como vês,

olho por olho, dente por dente é dor.


Vejo-te a procurar grandezas,

heróis e Príncipes e belezas,

mas nem eu quero algo logro

desmazelo ou sujo malogro.


È confusa a minha procura,

na minha alma intima e recolhida,

dizer o que sinto em clausura,

de um homem quem acredita dita.


Complexo, perplexo sem nexo,

assim te pareço um reflexo,

mas eu sei que sou um universo,

de descobertas e em palavras verso.


Sem a grandeza, realeza ou poder,

voo no meu vento livre de uma prisão,

mas nunca direi nunca aprender,

acredito sim na linguagem do coração.


E por entre meu muro de expressões,

espero na ausência de algo as imperfeições,

do mal de outras vidas espalhando dores,

e hoje só queria apenas te dar flores.


E eu amo, tanto em mim para dar,

vem-me buscar nesta prisão em mim,

mas meu mal é descobrir o teu enganar,

porque tem sido esta a minha vida assim.

domingo, 28 de setembro de 2008

O Voo da Lágrima

Vi uma lágrima cair,

cheia de vida e luz,

aroma de rosas e mel

como uma pérola brilhou.


Vi uma lágrima voar,

num voo celestial de anjo,

libertava correntes de vida,

estrela eterna num céu de cetim.


Vi uma lágrima correr,

por entre a flor da tua pele,

semente de amor em terra de ninguém,

desfeita em dor que o amor não deu.


Vi olhos e rios de lágrimas,

de uma prisão de sentimentos,

lágrimas de abandono ou traição,

prisioneiro de sombras que não escolhi.


Dá-me a liberdade, dá-me,

de voar por entre as nuvens.

de escolher meu céu azul,

cruzar ventos de norte e sul.


Dá-me a ânsia de amar,

o destino de perder e dar,

despojar-me de caprichos,

vaidades e razões sem olhar.


Saberei a diferença,

dos dogmas da vida,

do mal do bem,

do ter e do ser.


Na jornada da minha descoberta,

pertenço ao universo, à luz,

dá-me um sorriso, um abraço,

e de tudo o que quero é o amor.


Vi uma lágrima de mim de ti,

vi uma nova fonte de vida,

transbordando de amor criativo,

uma nascente de liberdade.