Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 28 de setembro de 2008

O Segredo do Voo

Procuro os segredos do voo

decifrando o meu labirinto

na descoberta do meu eu

lanço-me num voo picado.


Sinto-me triste, apenas,

só, apenas só, despido,

notas soltas se misturam,

numa compaixão de amor.


Sinto falta, apenas sinto,

suficiente forte para não cair,

ainda existe tempo para voar,

silêncio de um sonho a cantar.


E se eu fosse capaz,

de dizer o que sinto,

mas tanto pressinto,

medos e vontades.


Não me façam à vossa imagem,

não me tirem os sons do silêncio,

flui pela minha mente única

não queiram que deixe de ser eu.


Se eu fosse capaz,

aniquilar a dor que me retêm,

do medo, do incerto, do vazio,

que outrora em vão me roubou.


Se eu fosse capaz de dizer,

fluir como um rio e encontrar o mar,

diluir meu leito num imenso amar,

mas a última fronteira sou eu mesmo.

O Voo do Abutre

Se vagueias pela calada da noite,

decepcionado pelo quente do teu covil,

procuras fora o que não existe dentro,

e ficas à mercê de abutres e vampiros.


Se vagueias sem sentido nem porto,

abandonado pelo sonhos que desejavas,

procuras fantasias em anúncios de selo,

e te entregas aos perigos da selva ardente.


Se te mascaras de ouro procurando vitimas,

onde de dia és anjo e á noite caçador,

procuras o segredo fácil da sobrevivência,

e te entregas aos desejos dos carentes.


Se acabares só e gasto pelo tempo,

abandonado no inferno dos vazios,

não temas és mais uma vitima,

e serás presa fácil dos necrófagos.


Se te preparas para a caça,

despojando os silêncios da alma,

tem cuidado porque o vazio volta,

e serás presa fácil dos necrófagos.


Se hoje te abastas em tesouros,

rasgando e matando o sensível,

um dia poderá nada valer os ouros,

antes um ranger de dentes te levará.


Se hoje não criares as raízes,

se hoje abandonares os sonhos,

se hoje desprezares o belo,

serás uma presa fácil dos necrófagos.


Se hoje desprezas a dor e o amor,

e num odor hipócrita viveres,

e não lutares por uma fantasia linda,

um dia ninguém se vai lembrar de ti.


Lembra-te do fino gelo que pisas,

dos pensamentos quando estas só,

lembra-te que alguém existe,

que vai para além da alma e do amor.


Hoje és carne para canhão,

de uma guerra que desconheces,

tentas sobreviver nesta selva de pedra

onde tu és apenas mais uma presa.

sábado, 27 de setembro de 2008

Ventos de Mim


Não quero escrever, tenho medo de escrever

de dizer as palavras que não quero

de trocar sentidos morfologias e comparações

apenas queria dizer algo.


Não quero dizer, tenho medo de dizer

o quanto sinto a dor da dor pela tua e minha

e digo sem sentido algo sem nexo e caminho

apenas queria falar sinceramente


Sabes o sabor amargo da queda,

da falsidade, do engano e do abandono

è preciso perder tudo para ganhar o maior bem,

é preciso cair para me levantar.


Do passado só quero os momentos bons,

sustento da minha esperança e força,

não quero que me digam que errei,

apenas que me digam que existirá um sorriso.


De um amigo esperamos um amparo,

de um amigo esperamos confiança,

de um amigo esperamos um sorriso,

mas nunca uma censura ou uma afirmação.


Conheces o poder do amor,

conheces o poder do sorriso,

conheces o poder do abraço,

conheces o poder que está em ti.


O poder em mim de dizer sim e não,

de romper a direito e abrir as asas,

dizer que sou livre, sou livre, quero ser,

livre de promessas vãs e cruas.


Descubro a cada dia quem sou,

a cada momento um voo do vento,

a cada voo a esperança nesta ou outra,

vidas que sei que em mim encerro.


E sofro pelas minhas imperfeições.

e choro pelas minhas fraquezas,

na angustia de um quarto só,

mas sou divino e assim caminho vivo.


Pergunto sempre onde está o amor,

que mereço e que me foi prometido,

em medos e receios me envolvo,

e minhas asas estão presas.


Mas sabes para tudo é preciso confiar,

sem ela onde está a amizade, e o amor.

Conheces a liberdade de recriar o amor,

fantasia que se deslumbra nas nossas asas da liberdade.


Rasgo o que te prende, desprendo as correntes desta prisão,

todas as tempestades passam, tudo tem um fim, até o ódio,

liberto-me, liberto-me anjo, cria, pinta um quadro como um pintor,

crio a musica da minha vida, componho a prosa da minha dor,

dói muito, dói muito, um parto para uma nova vida,

cria em mim esta fúria de viver na fúria de amar, na fúria de dizer.

EU QUERO SER LIVRE, EU QUERO AMAR, EU QUERO SER AMADO...

No Vento

Livres são os pensamentos,

fragmentos de sonhos em transe

lamento da minha fraqueza,

de gritar suavemente o meu ser.


Sabes o quanto é ser livre?

sabes o quanto é se ser?

sabes o quanto perdes por ter?

sabes o quanto perdes por reteres?


Lamento fraco da minha alma,

uma exigência crua e fria em mim,

no voo do vento vou diluindo

mas sei que a vida não tem fim.


Preso me encontro em mim,

esperando que me libertes,

confia em mim se quiseres,

o amor é ser arte do criador.


Amor é um quadro de fantasia,

amor é imaginar ser livre do ter,

amor é uma música de sedução,

amor é ter asas e poder voar até ti.


Quem me dera poder dizer,

o quando libertaria,

o quanto libertava,

a arte de criar para além do universo.


O selo da liberdade é afinidade,

o selo da afinidade é a confiança,

o selo da confiança é o amor,

o selo do amor é vida, porque o amor é tudo.


Sabes o que é o amor?

onde estão os gestos de amor,

no voo do vento procuro,

amar para lá dos limites.