Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 19 de julho de 2009

Sem Fim...

Porque escrevo assim

palavras estranhas em mim

puzzle de vidas sem fim

nem sei tão pouco porque vim.


Não sei o que me trás aqui

se a morte me chegasse

nem o mundo daria pela falta

se nem a vida me deu missão.


Pobre alma a minha desencontrada,

dos sonhos comuns de qualquer mortal

nem das pedras fiz castelo ou armada,

dito palavras em fraco e trágico final.


Sei que sei, que nunca serei,

feliz, contente ou sorridente,

sei que sei, que nunca terei,

tão pouco um sonho descontente.


Nasci assim, só Deus sabe,

o que me espera, não sei,

se a morte por mim desabe

a nada nem a ninguém notei.


Se desafio e afronto assim a vida,

foi porque a morte me ocorreu

logro é o motivo para continuar

louco por pensar que sei amar.


E se eu morrer, não chores,

sorri, porque existe sempre

alguém que não merece e parte,

enquanto eu inútil me reparto.


Se tento decifrar o oráculo,

restos de um deus menor,

preso fico num cruel círculo

de vidas dentro de vidas em redor.


Se por fim ainda insisto sem fim

é porque ainda não me sinto só

no meio da tempestade sem fim

coleccionando penas e sentenças.

Se o amor… Se por amor…


Se o amor é causador de abandono,

ciúme, violência, prisão e distância.

Se o amor é abandonado sem dono,

motivo de inimizade sem substância.


Se o amor é causador de guerras,

alienações, perseguições e ódio.

Se o amor é um punhado de terra,

carne viva, sexo e um lugar no pódio.


Se por amor não se confia,

acredita, chora e sorri.

Se por amor não se arrepia,

insiste, abre e convivi.


Se o amor é um jogo,

troféu ou um meio.

Se o amor é um logro,

montra ou torneio.


Se por amor se premedita,

expectativa ou subestima.

Se por amor se aproveita,

deleita e depois se dizima.


Se o amor é um negocio,

mero prazer para a carne.

Se o amor é um deposito,

de emoções e de encarne.


Se o amor é cego e mudo,

obrigação, disjunção, eu sei lá.

Se o amor é louco e quer tudo,

doença, martírio e dor má.


Se o amor é interesseiro,

rafeiro ou apenas um acto.

Se o amor é uma intenção,

promessa, altar ou contrato.


Se o amor é por fim tudo isso,

rascunho, sombra, frase ou isco,

então assim não vou querer amar,

tão raro tesouro é o amor a brilhar.


Se o amor é tudo isso pelo mundo,

como posso acreditar nesse amor,

esta é antítese e o paradoxo fundo,

e eu queria apenas te dar uma flor.

sábado, 18 de julho de 2009

Cego

Eu estava a sonhar sobre o passado
Porquê os bons tempos nunca duram?
Ajude-me Jesus, mostre-me o caminho
Eu não posso esperar outro dia.

Eu estava faminto, deprimido,
Eu simplesmente não sabia que caminho seguir
A perseguir arco-íris que não têm fim
A estrada é longa sem um amigo
Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque a chamada
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Apenas um jovem á procura da direcção para casa
A ver o sol a pôr novamente
Através da água, o sol está brilhando
Mas, ele sempre será, ele sempre será o mesmo?

Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque o chamado
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Eu preciso de alguém, eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém para me chamar a mim
Como um homem cego, eu posso sentir o calor do sol
Mas, como um homem cego
Eu não sei, eu não sei,
Eu não sei de onde é o caminho em frente…

Sê meu amigo, sê meu irmão
Sê o flautista, toque o chamado
Através dos sete mares de maravilhas
Sê o guardião da minha alma

Eu preciso de alguém, eu preciso de alguém
Eu preciso de alguém para me chamar a mim
Como um homem cego, eu posso sentir o calor do sol
Mas, como um homem cego
Eu não sei, eu não sei,
Eu não sei de onde é o caminho em frente…


(Whitesnake - Blindman)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Um dia vulgar...


Hoje é um dia vulgar,

mesmo que pintasse o céu,

e fizesse aviões de cera,

e voasse bem alto.


Hoje é um dia vulgar

mesmo que caminha-se no mar,

e que deixa-se de amar,

perde-se o que queria te dar.


Hoje é um dia vulgar, como tantos,

pensar na razão de amar é fortuito,

por mais que corra serei sempre um louco

aos olhos incrédulos da dor e do tempo.


Hoje é um dia vulgar, como sempre,

e sempre será esta vida em mim mortal

procuro o que não existe, porque não existo,

vulgar são as palavras por ti digeridas.


Hoje é um dia vulgar, porque o amaldiçoei,

deixar de pensar nesse amor que dizem

em vãs canções e palavras e poesias,

nunca te direi e farei o que pensas,

antes a ferida doce do mais puro do meu amor.


Hoje é um dia vulgar, porque me deitaram fora,

mesmo que eu reinventa-se o amor que sinto por ti,

mesmo que cria-se o criador num mundo que não existe,

vejo para lá do quadro onde o pintor pintou o invisível.


Hoje é um dia vulgar, sem romantismos,

sou mais um louco que a vida pariu,

feito de dramas, traumas e retomas,

alma vulgar que apenas sobrevive apática.


Hoje é um dia vulgar, vulgar como eu,

mas não sou eu quando escrevo, é o momento,

mais longe fico de ti, as palavras me tiram,

o equilíbrio a sensatez, tudo o que o amor tem para dar.


Mas nunca em vão será este dia invulgar,

nesta alma invulgar ainda reside a tranquilidade

mesmo que as tempestades sejam eternas

e à minha volta me pareça tudo perdido e louco.

Não invoquem o amor em vão


Amar é o verbo revelado
Pela boca da divindade
Só deve ser invocado
Em caso de necessidade
Esse verbo não se explica
À luz crua da razão
Ele é a jóia mais rica
Da arca da criação
Podem-no pôr no altar
Frívolo duma canção
Praticá-lo até gastar
Mas não o invoquem em vão


Não invoquem o amor em vão
Não invoquem o amor em vão


Podem-no usar com rendas
Ou enfeites de algodão
Para tapar bem as fendas
Por onde sopra a solidão
Podem dá-lo ao desbarato
Podem-no até vender
Metê-lo no guarda-fato
E dá-lo à traça a comer
Podem-no usar no chão
Como capacho dos pés
Mas não o invoquem em vão
Não o sujem com clichés


Não invoquem o amor em vão
É pecado como deitar fora o pão
Não invoquem o amor em vão
É pecado como deitar fora o pão


(Carlos Tê / Rui Veloso)