Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 13 de junho de 2009

Cidade

Se sou uma adversidade,

um mal, constrangimento

estorvo ou passatempo

imperfeito nesta cidade.


Se não pertenço a esta cidade,

faz-me as malas e eu parto,

sou melhor nessa dignidade,

do que logro do teu fardo farto.


Cheguei a esta cidade natal,

persona non grata rotulada,

chamaram-me de anormal,

dita escrita cidade abençoada.


Sou o pior dos teus pesadelos,

sabes bem como é a cidade,

corações de pedra e pesadelos,

resta um pouco de lealdade.


Sentes-te perdida na cidade,

desconfianças e incertezas,

não existe luz nem vontade,

mas existem outras riquezas.



Se não queres a presença,

a palavra ou a benevolência,

tira-me o rosto e a avença,

do coração a penitência.


Sou novo na cidade,

ruas e estradas aprendo,

contorno com agilidade

ao caminho não me rendo.


Então diz-me a verdade

onde moras na cidade!?

na rua da ambiguidade,

ou na ruela da afinidade.

O Segredo

Louco, por pensar,

por querer amar o mar,

louco, por saber,

o para onde correr.


Louco, por ser,

perplexo

complexo

sem nexo.


Não sou assim, louco,

lembras-te da lareira,

das histórias à beira,

do som da ribeira.


Sabes como sou,

as brincadeiras de crianças,

berlindes, cordas e lembranças,

traquinices e correrias e ânsias.


Lembras-te daquelas idades,

puras, simples de devaneios,

o mundo era nosso de verdade,

as primeiras vezes e os meios.


Sabes quem sou eu, lembras-te,

banhar os pés no mar e acordar,

ver as estrelas e acordar-te,

morrer por querer amar.


Lembras-te da humildade,

da inocência dos movimentos,

dos sonhos e da liberdade,

das músicas e encantamentos.


Onde está essa fogueira

que acendia o coração

brincadeiras numa eira

cantadas por uma canção.


Onde estás tu agora,

queria-te segredar,

tudo se perde numa hora,

quando deixamos de segredar.

Poema da merda...

Uma estreita tristeza me invadiu

melancolia nos sons das paredes

uma solidão imperfeita me feriu

vermes rastejantes lançam redes.


Não acredito em ninguém, abandonei-me a essa ideia,

de que todos os pensamentos são uma concepção de interesses,

uma expectativa de actos, à certeza do dar e receber um engano,

à estranha forma e perspectiva que o homem tem que a vida uma arena de escolhas.



Um estranho ar me invadiu,

libertei este ser numa raiva,

e a meus pés se move ruiu,

e ao amor ninguém alusiva.


Seria bonito dizer que gostaria de acreditar em alguém, elegante até mesmo educado,

seria pura hipocrisia se o disse-se, porque a verdade toda a gente a teme,

talvez um dia quem sabe exista um elixir ou um vírus da verdade,

cada dia se acredita menos no amor, no carinho, na ternura na amizade.


Estranho dia este meu,

que se abateu sem sol,

lindo o que anoiteceu,

ninguém segue o farol.



Seria indelicado da minha parte se disse-se um palavrão em calão, “foda-se” por exemplo, alguma hipócrita gargalhada, agora vejam bem se se conseguem rir de um beijo dado com ternura, de um abraço dado com carinho, ou é preciso mandar “foder” tudo numa incineradora de “merda”, para depois se lembrarem que existe coisas lindas, ou é preciso dizer que tenho uma “pixa” grande ou uma grande “cona” para que fique tudo bem, “caralho” pá, afinal o que é que querem, desculpem-me aqueles que pensam que sou um gajo educado, e até sou, mas hoje passei-me, todos tem esse direito.


Estranha esta minha cólera

nasci num descendente signo,

água, fogo e ar de outra era,

afundar-me neste designo.


Parece que fui longe demais, mas vou deixar tudo como está, e não pensem que mudei a filha da puta de uma única palavra, sou melhor que os hipócritas, sou melhor que esses filhos da puta que levam uma vidinha de aparências, que usam e abusam dos frágeis e sensíveis, dos fracos e desprotegidos, dos carentes e descrentes, como se fossem mercadoria num supermercado onde nada se paga, esquecem-se é que nada se perde tudo se transforma e o equilíbrio é inevitável, seja na natureza física ou na espiritual, ela se fará, agora caríssimos gostava de dizer mais umas asneiras, mas não, quem quiser acreditar acredite, quem não quiser acreditar que se vá f….., para não ser mal educado.


Fruto de momentos sós,

palavra que queria dizer

“amo-te” apenas existem nós,

passos lentos para viver.


Onde está essa fogueira,

a palavra “amo-te” sincera,

amizade e uma brincadeira,

pelas palavras desculpas sinceras.