Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 13 de junho de 2009

O Tempo

Citação


Temos muito tempo... Mas o tempo é qualquer coisa que se corta num golpe súbito de tesoura, quase sempre sem aviso. Três semanas, três anos, trinta anos... O tempo é apenas tempo. É água que escorre entre os dedos das mãos.
A verdade é que não temos muito tempo.
Enquanto cometemos a tolice de ir vivendo como se fôssemos viver... sempre, a nossa vida está às escuras, à espera de um acto de coragem que lhe dê cor e sentido.
(Paulo Geraldo)


O TEMPO (Pelo Voo do Vento)


O tempo é uma ilusão uma miragem,

calcamos a cicatriz com o tempo,

transformada em crosta e pigmentada,

gravado o sinal perpétuo,

na flor da alma, pela vida até à morte.


Preenchemos o vazio com a ilusão

que o tempo é a perfeita cura,

desengane-se, hiberna apenas,

numa anestesia aparente e calma,

quando acorda o tempo consumiu,

passatempo de pensamentos,

o tempo chama o sinal que permanece,

e quando se acabar o tempo,

voltamos a olhar para ele,

e se não encontrarmos uma razão sem razão,

a dor será muito maior e sabemos.


E sabes que à tua volta nada é teu

lutas inúteis guerras que não são tuas

e um dia o tempo abre as asas,

onde estás tu, onde estás!?

e o tempo envelhece a cicatriz

torna-a mais dolorosa no corpo físico

imperfeito esperando as rugas da alma.


O tempo de facto é uma ilusão, é uma concepção do homem,

não existe, é um vácuo, sem princípio nem fim

és uma pequena parcela que o preenches

refugiamo-nos na fé e no amor, pura miragem,

depois chamamos cego ao amor e á fé palavra de Deus,

e reinventamos a fé e o amor como se fosse possível

tentar apagar o sinal em vez de o seguires.


E aqueles que provocam as cicatrizes,

sabes que se riem em gargalhadas

esperam que os ingénuos e os bons se aproximem

para os comerem como restos, aos poucos num gozo,

numa orgia, numa incineradora apocalíptica,

e o tempo para eles existe porque são insaciáveis.


Conheces aqueles que provocam as cicatrizes

sabes, eles são subtis, sedutores, atraiam,

aparentam ser tesouros, conhecem a lei do dinheiro,

mostram seus belos pertences, como se fossem troféus,

e se afogam em hipocrisias do ter e do possuir

sabem olhar as tuas fraquezas e prende-las

e quando não servires, eles voltam a vestir outra camisa

e quando dás por isso o tempo te consumiu.


Mas sabes quando o tempo deles acabar

e te encontrares nos destroços do tempo,

não os condenes porque serás réu também

lembra-te apenas que o tempo é uma ilusão,

e que o amor não é cego e a fé o teu caminho.


Não dês ao tempo essa oportunidade,

o bem e o mal se vestem da mesma forma

o quadro é tão igual e tão diferente,

se olhares bem a diferença está apenas em ti

na força da liberdade que possuis,

na leal e sinceridade afinidade

teme apenas o tempo porque ele não existe,

procura apenas voar.


Na força da coragem, na determinação, na atitude

sem medo daquilo que o homem chamou de tempo

nunca abandones o amor nem a fé,

o amor te liberta a fé te perpétua,

essa bênção que a fé te deu, a vida, ama e apenas ama,

e não chames ao amor cego, cego é aquele que quer

possuir o amor sem saber o que ele é.

Deus te deu dons, liberta-os, te deu amor, ama,

te deu fé, usa-a, te deu liberdade, utiliza-a.

Deus fez de ti um ser especial e espiritual, perpetua-o,

mesmo na insignificância dos teus actos, tudo existe.


E esta é a resposta que dou,

a minha ingenuidade, à minha insignificância,

aos olhos cegos pelo tempo, ao ridículo que

pareço ser, ao idiota que alguém me chama,

á teimosia que tenho em ignorar o tempo,

na solidão, só, sozinho, por vezes na minha tristeza

numa espera indiferente ao olhar céptico dos que dizem o que é o amor

como se ele fosse algo, alguém que se têm, quer ou possui,

não escolho o tempo, mas Deus escolheu-me,

a fé que tenho é de tempos ancestrais que ninguém decifra,

grande e corajosa que desafia o tempo e a filosofia dos homens,

mas que respeita as verdadeiras palavras pelos templos o livros sagrados.

domingo, 24 de maio de 2009

Soneto da Felicidade

Invadiu-me um aroma

intenso de incenso feliz

descobri-me numa raiz

era igual ao meu idioma.


Uma partitura um gnoma

numa calma paz perfiz

desfiz e enterrei cicatriz

multipliquei feliz a soma.


Feliz me encontro agora

do lado de dentro sorriso

o momento o dia a hora.


Felicidade de mim aliso

ares e voos já não chora

bem me sinto neste aviso.

sábado, 23 de maio de 2009

Estranha forma...

Estranha forma de ser, a minha,

quem será que habita em mim?!

não é de adulto com certeza

é um desconcerto ingénuo.


Estranha forma de apatia, a minha,

que será que me espera do outro lado?!

não é de ninguém com certeza

será rejeição será o ridículo do ser.


Estranha forma a minha

num mundo que caminha

luta, injuria, pura adivinha

verdade ou mentira a rainha.


Estranha forma a minha, de dizer,

porque será que não sou como os demais?!

nunca escolhi a escuridão e a mentira

que antídoto habita em mim para tal.


Estranha forma de admitir e concluir

que a sorte abona os que querem destruir

talvez um dia quem sabe mude ideias

de que vale a pena ser-se como se é.


Estranha forma de lamento, sem pena,

porque de abutres o mundo está cheio

e os lobos espreitam a cada esquina

famintos de carne fresca e cara lavada.


Estranha forma de me lamentar,

será que pena procuro, não posso?!

não, meu coração não permite tal,

é antes um grito, uma revolta.


Estranha forma de felicidade,

pecar por não amar, e tanto reter,

serás capaz de tu amar assim?!

estranha forma de acreditar.


Estranha forma de desistir,

raiva que sinto do mundo?!

não, mas vou ficar por aqui,

as palavras são arte apenas.

mas são aquilo que o poeta sente.

Viagem...

Mergulhei numa paisagem

fiz uma longa viagem

procurei ver numa miragem

um ponto pequeno, uma viragem.


Parei numa cidade estranha

vim do cimo de uma montanha

uma caminhada, uma façanha

foi de lá que vim sem sanha.


Perguntaram se sabia o que era o amor,

não respondi, sem lhes mostrar a dor,

perguntaram se o amor era uma flor,

até me tentaram roubar a cor.


A dor de parto, da perda, da morte,

da guerra, da fome, do homem sem norte

das crianças abandonadas a sorte,

dos fracos e frágeis sem forte.


Perguntaram se eu sabia o que era amar

não respondi, sem lhes mostrar o olhar

perguntaram se amar era um chamar

até me tentaram tudo tirar.


A mentira a traição os fez encerrar

aos corações a ganância fez tirar

olhares brilhantes a rios a chorar

e a luxúria os fez hibernar.


Perguntaram se eu sabia qual era a solução

não respondi, sem lhes mostrar o sim e o não

perguntaram se a solução era uma razão

até me tentaram acusar de agitação.


O brilho, a luz, te faz embalar,

um carinho uma ternura a espreitar

loucos os que se entregam ao amar

porque sabem do que estou a falar.


E eu vi para lá uma passagem

fiz hoje mesmo a bagagem

revivo o amor em coragem

numa esperança sem miragem.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A mais linda história...

A mais linda história,

ninguém ainda a escreveu

fala-nos como as almas

conquistam de novo o amor.


A mais linda história,

nem sou digno de a contar

fala-nos de como o amor

foi conquistado por sorrisos.


A mais linda história,

não tem homens nem mulheres

fala-nos de corações e de iluminados

que se encontram em perfeita harmonia.


A mais linda história,

não tem palavras nem livros

fala-nos de um jardim distante

plantado na profundeza dos homens.


A mais linda história,

não pode ser sabida por ninguém,

que só as crianças a podem cantar

e os corações de criança a sentir.


A mais bela história,

não tem feridas nem dor

fala-nos de curas e milagres

que vem de dentro da alma.


A mais bela história,

não vem nos escritos nem da memória

fala-nos em sinais que só certas almas sentem

são douradas os seus caminhos.


A mais bela história,

é contada todos os dias,

basta abrirem o coração,

e deixar cantar a alma.


A mais bela história,

não nos fala de qualquer palavra,

fala-nos apenas de uma, o amor,

diz-nos apenas para a seguir.