E se eu te contasse,
um dia te enfeitiçasse,
feitiços mil de néon,
e um tesouro achasse.
E se eu um dia voasse,
num universo de sons,
cairia leve e arrepiasse,
pele pintada de tons.
Pintor, escritor, escultor
peça de cores e um actor,
lindas notas de um cantor,
teu corpo lido do inventor.
E se eu fosse perfeito,
de imperfeições feito,
tenras carícias de jeito,
uma fantasia de ti refeito.
Sorriso, luz, cristal liquido,
nua á luz de vela aquecido,
licor de amor lento bebido,
numa ternura lento atrevido.
Gestos imaginados em ti vi,
satisfação do fel e do mel,
abandono-me de mim para ti,
numa tempestade insaciável.
E se tudo fosse refeito,
em génesis um defeito,
criavas o criador desfeito,
em águas puras deleito.
E se eu te contasse,
que em tudo errasse,
milagre encantasse,
em tudo que abraçasse.
E se eu apenas te cativasse,
em infinitos fios de iris,
se ao cativar te amasse,
descobriria o que acredito.



