Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar! (Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")
Sinto saudade de ti
teu olhar no meu olhar
sorriso suave de cristal
rosto de criança menina.
Por pouco tempo seja
vejo-te assim em mim
se pudesse desprender
um quer que seja gesto.
Mas sei que tu não sabes
que meu coração é assim
resguardado e temendo
que seja mais uma vez fim.
Sinto saudades da tua voz
que encerra dores de vidas
alegrias, sorrisos e desejos
e um fino fio sensível.
Já vi tuas lágrimas
oceanos de rimas
vi para lá delas
onde já mergulhei.
Vejo em ti tanto amor
de amor atrevo-me falar
força precisa para afastar
o sínico sabor do egoísmo.
Sinto o que sinto assim
amor-perfeito de imperfeições
que ventos de amor percebe
o coração e a mente deturpa.
Ventos de amor sopram
saudades para lá de mim
sei quem és doce vento
amar com fantasias de cetim.
A resposta está longe,
vem de ventos distantes
procuro em mim assim
escondendo o mais belo.
Para quem teço
quem mereço
nada apenas assim
um dia outro dia sim.
E tudo passa sem passar
e hoje me sinto assim
merecer ou ser merecido
sorte tem o enganador.
Ser sincero é tempestuoso
nos dias de hoje perigoso
por vezes me refugio em mim
escudo que me afasta de ti.
Num carrossel de palavras
ventos distantes atormentam
o frágil dos sentidos apáticos
que acordam e torcem o ser.
Ser e tentar ser sem ter
palavras apenas palavras
ventos levam sem reter
um sonho apenas isso assim.
Poder confiar sem temer
nada existe sem confiança
amor, liberdade e afinidade
sabes o sabor amargo da mentira.
A resposta está longe
ventos distantes e incertos
lamento em palavras ditas
do saber que da vida mereço.
Vi meu voo para além de mim
fazendo perguntas sem resposta
guerreando palavras sem fim
liberdade e o amor como resposta.
Para além de mim um infinito
procurando equilíbrio perfeito
ninguém se esconde no labirinto
fácil será a visão do céu feito.
E se alguém procura
deuses para sua cura
não precisa ir longe
dentro de si um monge.
Vi meu voo para além de mim
oportunidade me deu esse supremo
a este meu corpo aqui e assim
amar um amor intenso não temo.
E para além de mim vou a ti
para me abandonar e encontrar
amor verdadeiro não há um vi,
sim raios de luzes para explorar.
E se alguém me quer amar
e se eu quiser assim lutar
não precisa de ter mas de ser
prefiro de ti e de mim aprender.
Abro e fecho lento
pensamento livre
ao redor oiço vento
rumores de lamento.
Oiço vozes e passos
caminhos repassados
cem vezes contados
e tudo são passados.
Vento que não assopras
os heróis e os audazes
mudanças que não sopras
não levas nem trazes.
Abro e fecho fora e dentro
inquebráveis matérias usadas
mentiras e alienações desventro
por entre vidas abaladas.
És único e indissolúvel
pó em terra de ninguém
esperando a terra admirável
onde estás és único refém.
Cria, gira, voa nesse vento
sobre água caminha livre
solta o teu e meu invento
és luz e reino da alpivre.
Reinventa o obsoleto
contos, ditos e mitos
parte com teu amuleto
deita fora lado de delitos.
Abro fecho vento e corrente
é preciso navegar e abrir
é preciso de novo descobrir
a criança em nós carente.
Lançadas ao vento
numa viagem sem retorno
assim são as minhas palavras
partes de mim e do meu voo.
Lançadas ao vento apenas
por uma vontade transcendente
não quero saber onde param
quem as retêm ou se perdem
Assim são minhas palavras
sem destino e sem bandeira
sem querer o querer de outro
sem reter a verdade ou liberdade.
Lançadas ao vento vão,
ponto minúsculo do universo
um ser menor de um destino maior
aprendo a amar e sei do amor.
Palavras lançadas ao vento,
longe das morfologias modernas
das sintaxes sofisticadas e longas
assim são reais como eu sou.
Gosto das palavras ao vento
libertam-me e descobrem-se em mim
não são nenhuma arma e ainda bem
deixam-te livre porque livre és.
Não são as melhores,
não são as maiores
não são perfeitas,
mas são do mundo.
Lançadas ao vento
pedaços de mim
porque sou eu
lançado ao vento livre.