Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ventos Distantes

A resposta está longe,

vem de ventos distantes

procuro em mim assim

escondendo o mais belo.


Para quem teço

quem mereço

nada apenas assim

um dia outro dia sim.


E tudo passa sem passar

e hoje me sinto assim

merecer ou ser merecido

sorte tem o enganador.


Ser sincero é tempestuoso

nos dias de hoje perigoso

por vezes me refugio em mim

escudo que me afasta de ti.


Num carrossel de palavras

ventos distantes atormentam

o frágil dos sentidos apáticos

que acordam e torcem o ser.


Ser e tentar ser sem ter

palavras apenas palavras

ventos levam sem reter

um sonho apenas isso assim.


Poder confiar sem temer

nada existe sem confiança

amor, liberdade e afinidade

sabes o sabor amargo da mentira.


A resposta está longe

ventos distantes e incertos

lamento em palavras ditas

do saber que da vida mereço.

domingo, 19 de outubro de 2008

Voo para Além de Mim

Vi meu voo para além de mim

fazendo perguntas sem resposta

guerreando palavras sem fim

liberdade e o amor como resposta.


Para além de mim um infinito

procurando equilíbrio perfeito

ninguém se esconde no labirinto

fácil será a visão do céu feito.


E se alguém procura

deuses para sua cura

não precisa ir longe

dentro de si um monge.


Vi meu voo para além de mim

oportunidade me deu esse supremo

a este meu corpo aqui e assim

amar um amor intenso não temo.


E para além de mim vou a ti

para me abandonar e encontrar

amor verdadeiro não há um vi,

sim raios de luzes para explorar.


E se alguém me quer amar

e se eu quiser assim lutar

não precisa de ter mas de ser

prefiro de ti e de mim aprender.

Ventos

Abro e fecho lento

pensamento livre

ao redor oiço vento

rumores de lamento.


Oiço vozes e passos

caminhos repassados

cem vezes contados

e tudo são passados.


Vento que não assopras

os heróis e os audazes

mudanças que não sopras

não levas nem trazes.


Abro e fecho fora e dentro

inquebráveis matérias usadas

mentiras e alienações desventro

por entre vidas abaladas.


És único e indissolúvel

pó em terra de ninguém

esperando a terra admirável

onde estás és único refém.


Cria, gira, voa nesse vento

sobre água caminha livre

solta o teu e meu invento

és luz e reino da alpivre.


Reinventa o obsoleto

contos, ditos e mitos

parte com teu amuleto

deita fora lado de delitos.


Abro fecho vento e corrente

é preciso navegar e abrir

é preciso de novo descobrir

a criança em nós carente.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Palavras ao Vento


Lançadas ao vento

numa viagem sem retorno

assim são as minhas palavras

partes de mim e do meu voo.


Lançadas ao vento apenas

por uma vontade transcendente

não quero saber onde param

quem as retêm ou se perdem


Assim são minhas palavras

sem destino e sem bandeira

sem querer o querer de outro

sem reter a verdade ou liberdade.


Lançadas ao vento vão,

ponto minúsculo do universo

um ser menor de um destino maior

aprendo a amar e sei do amor.


Palavras lançadas ao vento,

longe das morfologias modernas

das sintaxes sofisticadas e longas

assim são reais como eu sou.


Gosto das palavras ao vento

libertam-me e descobrem-se em mim

não são nenhuma arma e ainda bem

deixam-te livre porque livre és.


Não são as melhores,

não são as maiores

não são perfeitas,

mas são do mundo.


Lançadas ao vento

pedaços de mim

porque sou eu

lançado ao vento livre.

sábado, 11 de outubro de 2008

Voo Só


Sinto-me só, sim só,

de uma pauta um dó,

melhor assim que prisão,

estranha forma da razão.


Sinto-me só, eu sei só,

não sei levantar pó

falta de um abraço apenas,

de ninguém procuro penas.


Sinto-me só, mais só, já sei,

prefiro assim às vezes e abrasei,

espírito e carne que me transcende

prefiro o espírito que ficar doente.


Mas sinto-me só, sim só, hoje,

aqui e agora alguém me desaloje,

onde está o amor que me falaram,

eu viu, do voo da alma gritavam.


Só, quanto de só me tiraram,

silêncio não sinto nem abalaram,

vazios não sinto nem labirintos,

sou feito de espírito e instintos.


Num voo só, sinto falta,

asas num céu azul altas,

fico aqui esperando por ti

porque já tive e me permiti.


Neste voo só, esperando,

procurar se me foram tirando,

prefiro o livre voo das palavras

que da alma me saem lavradas.


Porque espero só, procurando,

lanço voo manso abraçando,

um amor para uma outra vida

esperando a alma gémea fugida.