Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 16 de novembro de 2008

Sem Regresso

Já saboreei o regresso,

a ilusão dos sentidos,

sem temer insucesso,

em oásis frios e áridos.


Já engoli palavras ocas,

olhares possessos de ter,

de carências equívocas,

simplesmente queria ver.


Por caminhos incestuosos,

procuro o honesto conforto,

alegres e corações airosos,

um dia acurarei num porto.


Ai se pensas que te quero preza,

território de mim ou de ti um fim,

sei desvendar fantasias com destreza,

amar sobre mil formas num jardim.


Ai se pensas que sou mero comum,

de milhões de estrelas perfeitas nasci,

reencarnei nesta estrela em lugar algum

e caminho nas imperfeições que escolhi.


Um dia dei um passo atrás,

na humilhação das mentes,

impetuosas e subtis acabarás,

escravo da fraqueza demente.


Um dia tive a coragem em mim,

de me ver perto e fundo assim,

que não era esse o meu fim,

e parti caminhado num jardim.


Não regressarei jamais,

viajo livre na balança,

santo e o profano banais,

respiro hoje a bonança.


Só sem estar sozinho,

as estrelas são milhões,

aceito-te assim carinho,

não procuro penas e afeições.


Um dia acreditei em mim,

que a vida não tem fim,

que é frágil como cetim,

sensível como um jasmim.


Foi o ultimo tempo que criei,

amor reservo em meu coração,

criança órfão que não abandonei,

espero com a esperança, amiga mão.


Não posso negar o inegável,

que a partilha é dar e receber,

porque não o confiar amável,

ser-se e entregar-te sem temer.


É preciso amar-se primeiro

para gostar de alguém e amar

amar como se fossem braseiro,

amar como se fosse hoje acabar.


E voei na brisa doce do amor,

criar fantasias no corpo e na alma,

desenhar, criar, sei lá tudo, uma flor,

amar-te no dia e na noite mais calma.

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