Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 23 de novembro de 2008

O Voo da Amizade

Tens voado amigo por esse amor

tropeçado nas mentiras indecentes

tens sido o elo fraco do acolhedor

e em teias cais de Homens dementes.


Á quem procure pelos disfarces

ouros, pratas e formas perfeitas,

lamentos da vida cais sem ressarces

e as lágrimas não valem desfeitas.


Sabes tu voar amigo nesse coração

sem pressupostos de interesse,

sem pressupostos de intenção,

apenas voar ao luar que amadurece.


De interesses o mundo se corrói,

de intenções o mundo se inchou,

prefiro a ferida linda que me dói,

do sabor livre da palavra que dou.


Tens voado amigo, pouco pelo amor,

sê autêntico, natural, honesto e livre

procura na visão da alma a tua flor

amando como num ninho de alpivre.


Desse voo dizem tanto,

da verdadeira amizade,

do verdadeiro amor tanto,

mas no fundo só ambiguidade.


Nesse voo palavras não existem,

arriscam-se mergulhos, loops e giros

duas almas e duas asas que batem

é preciso um pouco de desvairos.


Tens voado amigo por esse amor,

procurando nos recantos raridades,

tesouros que nem em ilhas em flor,

sobrevives sim porque és cumplicidade.

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