Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

terça-feira, 26 de maio de 2015

Herói Invisível


Precisamos do herói invisível
das verdades e honestidades
não precisamos desta fantasia
popular de fantoches e marionetas.

Precisamos de um herói invisível
transparente como agua da fonte
onde criar laços é uma ponte
e o fim do fosso das riquezas alheias.

Precisamos de aprender a escrever
ler e criar riquezas invisíveis
precisamos de partilhar, quebrar
fronteiras, preconceitos e interesses.

Precisamos de quem nos tire dos números
das equações e formulas especulativas
da corrida desenfreada pela meta sem fim
da assembleia que dita as desigualdades.

Precisamos de um herói invisível
incorruptível á demagogia,
ao cinismo e ao sarcasmo,
á morte do pensamento vivo.

Precisamos de quem nos tire do vicio
da puberdade da humanidade,
do ímpio e negro ouro impuro,
dessa alienação que domestica a tua vida.

Precisamos de um herói invisível
que vê para além das estrelas
que pensa livre como uma brisa.
Mas esse herói não existe e ninguém se importa.

C.M.


Vou morrer só
num mar de ideias e pensamentos
vou morrer só
num mar de sonhos e sentimentos

Na vastidão do universo
na distancia entre as estrelas
à vazios que não completo
à silêncios que não me ouvem

Deixei de ouvir as ondas do mar
de sonhar e poder voar
deixei um testamento vazio
de uma voz por calar

E assim deixei o sofrimento
na angustia da morte lenta
por mais que procure a esperança
não a encontro, nem ao vento.

C.M.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Alucinantes

 

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Raio frequência actividade,

luz, fibra, banda larga, óptica

rápido, alucinante, veloz,

são os fluidos, a quântica do ser.

 

São as ondas cartesianas,

laser, AM e FM, antenas e satélites,

jactos, motores e computadores,

preenchem alucinantes o teu vazio.

 

Serão as distâncias menores,

os aviões mais velozes que a luz,

os carros mais rápidos que o som.

a rotação da terra mais lenta.

 

Os processamentos mais fluidos,

são os terabytes cegos e mudos,

são os megas, três e quatro gês,

são as linhas mais largas.

 

Serão os esgotos mais rápidos,

a gestação mais rápida,

a morte mais esquecida,

e a digestão mais eficaz,

 

Serão os esteróides mais eficazes,

as anfetaminas mais poderosas,

os depressivos mais eficazes,

e os batimentos cárdeos diferentes?

 

Será a escravidão mais subtil,

a guerra mais escondida,

o trafico mais sofisticado,

as armas mais certeiras e devastadoras,

 

Será a terra mais verde,

os ventos mais fortes,

as chamas mais quentes,

a água mais fria e clara?

 

Será o tempo mais lento?

e o espaço mais estreito,

os teus passos mais largos,

o teu ADN mais apurado,

nesta alucinante cegueira colectiva?

 

C.M.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

NOVO SABOR



Conheces o novo sabor,
as novas grades de papel,
a subtil e o sublime tremor,
do dever sim, dos contractos.

Conheces o novo saber,
os números, as formulas,
o poder da especulação,
a raiz do interesse da posse.

Conheces a nova raiz do medo,
e estás farto das doutrinas antigas,
mas uma prisão de papel te repele,
em obediências e assinaturas.

Grades de papel engenhosas,
elaboradas pelo medo de perder,
pela ganância, pelo covil político,
e a democracia a promessa de séculos.

Nessas grades escritas os detalhes,
da tua sentença para a vida,
do teu caminho traçado à nascença,
do número cravado na mente demente.


C.M.

domingo, 20 de novembro de 2011

Um dia assim...



Um dia assim, quem quer?
recantos e encantos vazios,
pensamentos soltos sem poiso.
Conheces o sabor do tempo?
A vida num só momento?
Onde existe o perdão?

Um dia assim, quem o fez?
Holocausto para os ousados,
em crematórios do egoísmo.

Truz truz, quem está ai?
Viemos-te buscar por fim.
Dias assim eu recusei.

Ousei acreditar, criar assim,
em dias assim, no imaginário,
nos mitos, lendas ancestrais,
que as crianças rejubilam,
quando lhes contam em dias assim.

O desfile do dia começou,
o rei egoísmo em dias assim,
criou o progresso das valas,
muros, pedras e dias frios.

O espectáculo começou
as luzes apagam-se
e os feitiços são lançados,
em telas de vidro e fibra.

As mentes estudadas,
sentidos e necessidades,
sentimentos e raivas,
em laboratórios de egoísmos.

E em cartazes gigantescos,
luzes enfeitiçam a noite,
apelativas cores de néon,
chamam pelas fraquezas.

Devo eu ser sincero?
Devo eu ser fiel?
Tudo justificamos
em parábolas e frases.

Um dia assim quem sabe,
me conheças descalço,
num espectáculo voraz,
numa jaula de serpentes.


Um dia assim quem sabe,
o pano não suba sob o palco,
e o piano desafinado toque,
e as palmas não se oiçam.

Um dia um fim assim,
um bobo te iluda de nada,
em palavras de circo
e frases cheias de vazio.

domingo, 12 de junho de 2011

Navegar é preciso; viver não é preciso. Viver não é necessário; o que é necessário é criar.


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

domingo, 5 de junho de 2011

Navegar é Preciso

NAVEGAR

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

(Fernando Pessoa)