Se o amor é causador de abandono,
ciúme, violência, prisão e distância.
Se o amor é abandonado sem dono,
motivo de inimizade sem substância.
Se o amor é causador de guerras,
alienações, perseguições e ódio.
Se o amor é um punhado de terra,
carne viva, sexo e um lugar no pódio.
Se por amor não se confia,
acredita, chora e sorri.
Se por amor não se arrepia,
insiste, abre e convivi.
Se o amor é um jogo,
troféu ou um meio.
Se o amor é um logro,
montra ou torneio.
Se por amor se premedita,
expectativa ou subestima.
Se por amor se aproveita,
deleita e depois se dizima.
Se o amor é um negocio,
mero prazer para a carne.
Se o amor é um deposito,
de emoções e de encarne.
Se o amor é cego e mudo,
obrigação, disjunção, eu sei lá.
Se o amor é louco e quer tudo,
doença, martírio e dor má.
Se o amor é interesseiro,
rafeiro ou apenas um acto.
Se o amor é uma intenção,
promessa, altar ou contrato.
Se o amor é por fim tudo isso,
rascunho, sombra, frase ou isco,
então assim não vou querer amar,
tão raro tesouro é o amor a brilhar.
Se o amor é tudo isso pelo mundo,
como posso acreditar nesse amor,
esta é antítese e o paradoxo fundo,
e eu queria apenas te dar uma flor.


