Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

sábado, 16 de maio de 2009

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Fernando Pessoa)

Ridículo...

Lanço uma sintonia pulsar

ridículas sinceras e antigas

já escrevi poemas demais

para serem escutadas por mim


Sobram, porquê não sei

ridículas luzes do poeta

iluminados do mal maior

carnificinas da alma desfeita.


Ridículo disse o poeta maior

que tudo é puro e verdade

em tudo um mal menor

ninguém quer saber ouvir.


Sou a representação do mal

a expiação dos hipócritas

o lixo dos enganos

enquanto eles se riem em banquetes.


Ridículo eu, sim, para ti,

o quadro imperfeito do pintor

a criança órfã do amor,

onde sou um ponto apenas.


Ridículo, sim, uma bomba de amor

retenho o bem e absorvo as trevas

eu sou ninguém e ninguém sou eu

quis o destino que assim me vestisse.


Eu fujo, sim fujo, de ti,

porque eu levo-te o mal

porque não tendo mal

o mal está em mim.


Ridículo é o poeta

que assim se descreve

mas quando se tem tanto para dar

e se é invisível, o que sobra é a

puta da ideia que os hipócritas

tem mais sorte, mais vidas na mão,

mais vidas para tirar e enganar,

mais carne para saborear,

insaciáveis pelo poder,

escravizam o carinho e a ternura

e nem imaginação tem…

e porra…

…eu fico na terra de ninguém.


Assim me ditou o destino

que em muitas vidas se tira

e só numa se mantém e retêm

a espera é longa e o coração fraco.

Fio...

Das águas calmas do rio

do sopro do vento lúcido

correm fios que abrevio

ténues sabores amargos.


Salvei por um fio

no fio da navalha

uma vida, um suspiro

perdido na mentira.


Na terra dos hipócritas

as estrelas são decadentes

negros os dias de sombras

passos subtis e dementes


E por um fio salvei

uma vida um espírito

vesti-me de fonte e cai

cai em mim e foquei


Na terra dos incoerentes

os rios são restos de vómitos

corpos ressequidos de medo

palavras ocas de mentiras.


Salvei um livro num fio

palavras soltas num rio

almas que pairavam no ar

num tempo que não é hoje.


Longos dias, longas noites

fios frágeis cordas grossas

a corda enrola e o fio parte

salvei uma vida de perigosas.


E na terra da farta demagogia

cio, ira, medo, ódio escuridão

correm mentiras que enfeitiçam

dor, tristeza, roubo e ilusão


Salvei uma vida por um fio

bastou uma palavra amiga

que a vida não sobra aqui

é um fio frágil eterno selo.


Porque metade de nós é amor... e a outra metade também!

Onde algumas almas se encontram… outras se perdem!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Música para Ti…


Hoje quis dançar contigo

ao som de uma guitarra

reinventar uma dança antiga

numa pauta que agarras.


Como era poderosa essa música

que me rasgou e esventrou o coração

desafiei o fogo, a água e a física

dançava contigo sobre um vulcão.


Ouvi sem conta essa guitarra

que me apunhalava por dentro

desvendando tudo até ao centro

as falhas dos acordes eram garras.


Um trompete rasga o silêncio

da alma do espírito num suspiro

espreita o violino na inocência

um encanto teu que admiro.


E no silêncio do universo

sopram nuvens de acordes

uma dádiva secreto verso

oiço de ti lindos acordes.


Hoje quis dançar te abraçar

enfeitiçar com uma música

numa dança nascer e criar

sons do silêncio feitos música.

Para TI...

Houve um tempo, quando era difícil de saber,
procurando, procurando um lugar para ir
havia uma luz que nascia do dia mais escuro
mas ninguém quer saber e ninguém quer chorar.