Lanço uma sintonia pulsar
ridículas sinceras e antigas
já escrevi poemas demais
para serem escutadas por mim
Sobram, porquê não sei
ridículas luzes do poeta
iluminados do mal maior
carnificinas da alma desfeita.
Ridículo disse o poeta maior
que tudo é puro e verdade
em tudo um mal menor
ninguém quer saber ouvir.
Sou a representação do mal
a expiação dos hipócritas
o lixo dos enganos
enquanto eles se riem em banquetes.
Ridículo eu, sim, para ti,
o quadro imperfeito do pintor
a criança órfã do amor,
onde sou um ponto apenas.
Ridículo, sim, uma bomba de amor
retenho o bem e absorvo as trevas
eu sou ninguém e ninguém sou eu
quis o destino que assim me vestisse.
Eu fujo, sim fujo, de ti,
porque eu levo-te o mal
porque não tendo mal
o mal está em mim.
Ridículo é o poeta
que assim se descreve
mas quando se tem tanto para dar
e se é invisível, o que sobra é a
puta da ideia que os hipócritas
tem mais sorte, mais vidas na mão,
mais vidas para tirar e enganar,
mais carne para saborear,
insaciáveis pelo poder,
escravizam o carinho e a ternura
e nem imaginação tem…
e porra…
…eu fico na terra de ninguém.
Assim me ditou o destino
que em muitas vidas se tira
e só numa se mantém e retêm


