Das águas calmas do rio
do sopro do vento lúcido
correm fios que abrevio
ténues sabores amargos.
Salvei por um fio
no fio da navalha
uma vida, um suspiro
perdido na mentira.
Na terra dos hipócritas
as estrelas são decadentes
negros os dias de sombras
passos subtis e dementes
E por um fio salvei
uma vida um espírito
vesti-me de fonte e cai
cai em mim e foquei
Na terra dos incoerentes
os rios são restos de vómitos
corpos ressequidos de medo
palavras ocas de mentiras.
Salvei um livro num fio
palavras soltas num rio
almas que pairavam no ar
num tempo que não é hoje.
Longos dias, longas noites
fios frágeis cordas grossas
a corda enrola e o fio parte
salvei uma vida de perigosas.
E na terra da farta demagogia
cio, ira, medo, ódio escuridão
correm mentiras que enfeitiçam
dor, tristeza, roubo e ilusão
Salvei uma vida por um fio
bastou uma palavra amiga
que a vida não sobra aqui
é um fio frágil eterno selo.
Porque metade de nós é amor... e a outra metade também!
Onde algumas almas se encontram… outras se perdem!

