Há sempre uma razão para viver. Podemos elevar-nos acima da nossa ignorância, podemos olhar o nosso reflexo, como o de criaturas feitas de perfeição, inteligência e talento. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!
(Richard Bach "Fernão Capelo Gaivota")

domingo, 9 de novembro de 2008

Minha Casa é Sobre o Gelo

A minha casa fica sobre o gelo,

derrete com os anos e é quente como o sol,

bebo do mar lágrimas do mundo sem tê-lo

que em guerras de sangue se desfaz sem prol.


Brisas frias e ventos fortes

umas de sul outras de norte,

sopram sobre paredes finas

quebram-se em chacinas.


Ventos de mudança proliferam

mundo mudou, rumores disseram,

como se de uma nação depende-se

destinos em que o homem desfez-se.


O mundo muda o homem não,

por isso tudo se mantém na razão

de que um dia um louco qualquer

não terá vontade de amar e nascer.


A minha casa fica sobre o gelo,

rodeada de rios, mares, ventos e brisas

rumores, choros e lágrimas que degelo,

ainda acredito na esperança e alegrias.

Voei

E eu voei

para onde não sei

dias que inventei

palavras que recitei.


E eu voei sem destino

em sonhos clandestino

procurando um desafino

em mundos que não defino.


E eu voei

e procurei

e reenviei

não hesitei.


Quem tudo quer

tudo perde, ditado qualquer,

rimas que não inventei sequer,

e tudo é como um malmequer.


E eu escrevi voar,

de asa livre ao ar,

uma palavra encontrar,

uma asa para amar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

BONITO

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Momentos

São dilúvios e ventos

nascentes e rios os momentos

são mansões e turbilhões

momentos são flutuações.


Quem escolhe os momentos?

se os deuses se os homens

pelos homens são tormentos

pelos deuses são aposentos.


Correm nas veias incertas

incertezas de momentos passados

agarrados ou perdidos e certas

escondidos em passos dados.


O momento é o bastante

é o tempo que não recua

é o instante inconstante

é limpa e turva a água.


Existe momentos que não entendemos

sombras ou luzes, quem sabe, o coração.

Existe momentos em que obedecemos

ilusões ou certezas, quem sabe, a razão.


Á quem se atreva a falar de amor

sem nunca lamber uma lágrima

Á quem se atreva a falar de dor

sem nunca provar o quanto queima.


Á quem se atreva a falar de paixão

sem nunca soltar um sonho uma fantasia.

Á quem se atreva a falar do corpo

sem nunca encontrar num livro que lia.


Qual o momento o instante?

deixar fugir ou agarrar o tempo

deixar o pó assentar na estante

e perguntar ao tempo o momento.


Apenas momentos são,

rolam vidas e sonhos,

mas nada é em vão,

existe sorrisos que componho.

domingo, 26 de outubro de 2008

No Vento Que Passa

Quantos caminhos terá um homem de percorrer
Antes que o considerem um homem?
Quantos mares terá uma pomba branca de sulcar
Antes que possa descansar na areia?
Quantas vezes terão os canhões de disparar
Antes de serem banidos para sempre?
A resposta, meu amigo, está no vento que passa,
A resposta está no vento que passa.

Quantas vezes terá um homem de erguer a cabeça
Antes de conseguir ver o céu?
E quantos ouvidos terá de possuir
Até que se consiga ouvir as pessoas chorar?
Quantas mortes serão necessárias até que saiba
Que já morreu gente demais?
A resposta, meu amigo, está no vento que passa,
A resposta está no vento que passa.

Quantos anos pode uma montanha existir
Antes de ser arrastada para o mar?
Quantos anos podem certas pessoas viver
Antes que lhes permitam ser livres?
E quantas vezes pode um homem virar a cara
Fingindo que não vê o que vê?
A resposta, meu amigo, está no vento que passa,
A resposta está no vento que passa.

(Bob Dylan)

O Sopro do Coração

Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então
(Porque não)
Porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor mero gozo
Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração
No sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão

Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras

Corto em dois limão
Chego o ouvido
Ao frescor
Ao barulho
À acidez do mergulho
No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele
É bem isso
E apesar disso eriça a pele
O sopro do coração
O sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão

Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras

Clã

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ventos de Ti

Sinto saudade de ti

teu olhar no meu olhar

sorriso suave de cristal

rosto de criança menina.


Por pouco tempo seja

vejo-te assim em mim

se pudesse desprender

um quer que seja gesto.


Mas sei que tu não sabes

que meu coração é assim

resguardado e temendo

que seja mais uma vez fim.


Sinto saudades da tua voz

que encerra dores de vidas

alegrias, sorrisos e desejos

e um fino fio sensível.


Já vi tuas lágrimas

oceanos de rimas

vi para lá delas

onde já mergulhei.


Vejo em ti tanto amor

de amor atrevo-me falar

força precisa para afastar

o sínico sabor do egoísmo.


Sinto o que sinto assim

amor-perfeito de imperfeições

que ventos de amor percebe

o coração e a mente deturpa.


Ventos de amor sopram

saudades para lá de mim

sei quem és doce vento

amar com fantasias de cetim.