Hoje é um dia vulgar,
mesmo que pintasse o céu,
e fizesse aviões de cera,
e voasse bem alto.
Hoje é um dia vulgar
mesmo que caminha-se no mar,
e que deixa-se de amar,
perde-se o que queria te dar.
Hoje é um dia vulgar, como tantos,
pensar na razão de amar é fortuito,
por mais que corra serei sempre um louco
aos olhos incrédulos da dor e do tempo.
Hoje é um dia vulgar, como sempre,
e sempre será esta vida em mim mortal
procuro o que não existe, porque não existo,
vulgar são as palavras por ti digeridas.
Hoje é um dia vulgar, porque o amaldiçoei,
deixar de pensar nesse amor que dizem
em vãs canções e palavras e poesias,
nunca te direi e farei o que pensas,
antes a ferida doce do mais puro do meu amor.
Hoje é um dia vulgar, porque me deitaram fora,
mesmo que eu reinventa-se o amor que sinto por ti,
mesmo que cria-se o criador num mundo que não existe,
vejo para lá do quadro onde o pintor pintou o invisível.
Hoje é um dia vulgar, sem romantismos,
sou mais um louco que a vida pariu,
feito de dramas, traumas e retomas,
alma vulgar que apenas sobrevive apática.
Hoje é um dia vulgar, vulgar como eu,
mas não sou eu quando escrevo, é o momento,
mais longe fico de ti, as palavras me tiram,
o equilíbrio a sensatez, tudo o que o amor tem para dar.
Mas nunca em vão será este dia invulgar,
nesta alma invulgar ainda reside a tranquilidade
mesmo que as tempestades sejam eternas
e à minha volta me pareça tudo perdido e louco.


